Sexta-feira, 11 de Janeiro, 2008


Nada como disponibilizarem meios online para resolvermos de forma célere os nossos problemas com as empresas que nos fornecem serviços essenciais. É todo um admirável mundo novo de oportunidades de comunicação.

Ou quase.

Perante uma situação de disputa com a Galp quanto a um certo e determinado pagamento que eu fiz, mas do qual me apareciam repetidas notas de dívida, recebi hoje o seguinte mal:

Estimado Cliente

Acusamos a recepção do E-mail de V.Ex.ª, no dia 30 de Maio de 2007, que mereceu a nossa melhor atenção, resultando deste os seguintes esclarecimentos.

Após análise da conta corrente de V. Ex.ª, informamos que as facturas F212006051000085 emitida em 02/05/2006 de 32,38€ e F212006061036344 emitida em 30/06/2006 de 29,21€, no total de 61,59€, encontram-se liquidadas.

Aproveitámos ainda para informar, que nesta data, não existem facturas em divida para a morada de consumo sita na R. xxxxxxxxxxxx.

Esperamos ter esclarecido V.Ex.ª e estamos ao dispor sempre que entenda por conveniente através dos nossos contactos habituais:

Linha Galp Gás: 808 508 100 (dias úteis das 9:00 às 19:00 horas)

E-mail: Linhagalpgas@galpenergia.com

Quase sete meses depois responderam-me que eu afinal tinha mesmo razão. Só é pena que, e apesar de outros contactos por via telefónica e por carta, me tivessem ameaçado cortar o gás a meio de Dezembro caso eu não pagasse as ditas facturas. E lá fui eu pagá-las.

Já imaginaram a trabalheira que vai ser preciso agora para reaver o dinheiro?

E já imaginaram se as escolas, enquanto “organizações”, tratassem assim os seus “clientes”?

Quer o Decreto Regulamentar 2/2008, quer o Decreto-Lei 3/2008 são lançados para cima das escolas no início do 2º período, com o ano lectivo em decurso, para aplicação imediata, sendo que essa aplicação ou implica efeitos retroactivos ou a completa alteração dos procedimentos em vigor no 1º período.

Para além da eventual irregularidade de certas normas transitórias (ou da sua falta), este tipo de legislação a trouxe-mouxe é um dos factores de maior instabilização do funcionamento dos estabelecimentos de ensino e a forma mais fácil de destruir toda a planificação do trabalho delineada no início do ano lectivo, os planos anuais de actividades, as planificações do trabalho dos departamentos, grupos disciplinares, directores de turma, etc, etc.

Estamos em matéria de Educação num permanente work in progress resultante duma manta de retalhos legislativos.

Parece que este frenesim é bem visto em alguns sectores como sendo sinal de «mudança» e «inovação».

Neste momento existe a necessidade de despoletar um processo de avaliação dos docentes mesmo a meio do ano lectivo, com efeitos que acabam por reportar a vários meses antes da publicação do diploma, assim como todo o trabalho dos Conselhos de Turma relativo a alunos sinalizados com NEE ao abrigo do decreto-lei 319/91, onde se incluem docentes e outros técnicos especializados, terá de ser reformulado durante o segundo período.

Também é neste período que parece pretender-se discutir a alteração do novo modelo de gestão escolar, cuja eventual implementação, tem consequências directas na orgânica do processo de avaliação dos docentes no próximo ano lectivo.

Acresce a isto que em muitas escolas se vão fazer testes intermédios.

Uma coisa é exigir trabalho, muito trabalho, com rigor e qualidade.

Outra é despejar decretos sem noção da sua exequibilidade, com a esperança que as coisas acabem por funcionar na base da imposição, boa vontade ou medo de resistir e, não funcionando, que seja possível culpar os professores de tudo.

Pois, porque a parte da avaliação dos docentes que competia aos serviços centrais do ME foi atirada para o próximo ano lectivo.

Mas eu gosto, exactamente porque não sou notável, porque tenho um ego bem reforçado e detecto um agent provocateur à distância.

Para os mais regulares frequentadores deste blogue não é necessário sublinhar que as posições discordantes da minha são normalmente rebatidas com vigor e vocabulário equiparável, mas sempre dentro do respeito pelo direito alheio à opinião. Também sabem que normalmente a discussão se mantém dentro de níveis muito razoáveis de civilidade e que são residuais as trocas de comentários que excedem um certo nível de linguagem. A minha parcela politicamente correcta (que existe) regozija-se com isso.

Diferente é a estratégia de ataque ad hominem que um ou dois comentadores (que variam de nick em nome da frontalidade e transparência e surgem quase sempre de forma coincidente com a produção legislativa do ME, desde os tempos da discussão do ECD) usam para me qualificar como «esquizofrénico», «desequilibrado», «anão», entre diversos outros mimos dignos de um trauliteiro de 3ª linha, aproveitando ainda para insinuar o que bem entendem sobre o meu desempenho profissional e eventuais desejos de protagonismo público.

Nada de isso me incomoda pessoalmente, porque quem anda à chuva molha-se e eu até estava preparado para pior. Só peço aos restantes frequentadores deste espaço que não se deixem intimidar por este tipo de intervenção, nem reajam de forma a justificar que «aquele(s) que bem sabemos» tenham razão para nos apontar o dedo.

Porque não esqueçamos que quem age de tal forma vergonhosa é quem defende, e defendeu num passado recente as políticas do ME, se incomodou com a análise da dependência financeira da Confap (curiosamente muito activa estas semanas, o que deve ser bem avaliado pelo ME na altura de renovar os subsídios) e sempre se preocupou em ofender os professores que ousam manifestar a sua opinião de forma independente.

Problemático seria que esses comentadores “críticos” fizessem sentido. Como se limitam a demonstrar toda a sua falta de nível argumentativo, escassa educação básica e pobres maneiras à mesa, só temos a ganhar com tais manifestações de descontrole. Eu se fosse aos seus patrões ficaria triste com a figura que faz(em) os seus guardas-avançados censores.

Quanto a mim, só consegue(m) deixar-me mais convencido de que estou a aborrecer quem devo e quem se achava acima da crítica do vulgo. Que sou eu. O vulgo. O anão. O esquizofrénico.

A culpa, sem cedências ao humor.

Roberto Carneiro à frente de equipa que vai avaliar programa Novas Oportunidades

Não está em causa o currículo.
O que me preocupa é que Roberto Carneiro lidera ou faz parte de projectos ligados à área da Educação, com protocolos e acordos estabelecidos com o ME, desde logo o do projecto Media Smart.

Para mais, Roberto Carneiro acabou há pouco tempo de coordenar outra encomenda do Governo e tudo.

Não seria mais aconselhável uma auditoria externa, menos envolvida, se necessário recorrendo a uma entidade internacional?

Eu, não sei porquê, ficaria mais descansado sobre a neutralidade da avaliação. É que esta ligação entre Roberto Carneiro e estudos encomendados por governos do PS já não é nova e parece que sai sempre ao agrado dos autores da encomenda.

Daí a recorrência?

Em Janeiro, quando a avaliação de muitos alunos se delineou com base no seu articulado e alíneas e sem normas transitórias explícitas neste novo diploma, o que fazemos com o que foi trabalhado pelos Conselhos de Turma até aqui?

A ideia é mesmo estabelecer a completa confusão, ou surgirão depois documentos secundários e suplementares – sem valor legal claro – a esclarecer o que é omisso no recente Decreto-Lei 3/2008?

Numa pequena nota na edição em papel do Diário de Notícias, lê-se que o SE Jorge Pedreira está a estudar um realinhamento curricular que visa aparentemente diminuir o papel das ACND em favor da Língua Portuguesa e da Matemática.

O aspecto bom é que, mesmo só assim, esta é uma das raras iniciativas correctas do ME.

O aspecto menos bom é que parece que só nos iremos preocupar a partir de agora com os resultados dos exames, dos testes do PISA e o resto passa a ser paisagem.

E se o PISA decidir testar os alunos em História, por exemplo?

Página seguinte »