E da tentativa de fazer crer que afinal até se seria a favor do referendo, não fossem as pressões dos tubarões, lembrei-me de uma passagem de Jonathan Swift sobre a forma de descarregar a culpa sobre o próximo, desde que a oportunidade surja. Não é a teoria da culpa morrer sempre solteira, mas mais de a culpa morrer em concubinato com o “outro”.

Se for possível nunca digas uma mentira ao teu senhor ou senhora, a menos que tenhas algumas esperanças de que não possa ser descoberta em menos de meia hora. Quando um serviçal é denunciado, todas as suas falhas devem ser contadas, mesmo que muitas delas nunca tivessem sido do conhecimento do senhor ou senhora, e todos os enganos feitos por outros devem ser-lhe imputados. E quando te perguntarem por que é que nunca desteantes conhecimento deles, a resposta é: Senhor, ou senhora, na realidade eu estava receoso de vos fazer zangar, e para além disso poderíeis pensar que fosse malícia minha. (Jonathan Swift, Directions to Servants. London, Hesperus Press, 2003, p. 16, edição moriginal de 1745)