O discurso da inovação entre nós chega a ser confrangedor pela pobreza como é apresentado e pelas fórmulas que apresenta, pois no fundo considera-se que inovar é copiar o que outros já fizeram.

Não é que exista mal nenhum em copiar boas experiências alheias, o que é necessário é saber analisar as diferenças de contexto e não lhe chamar inovação.

Mas sobre o tema deixo aqui duas passagens deliciosas:

A inovação é suposta resolver os problemas que nos afligem. Porém, se se tivessem descoberto novas soluções isso saber-se-ia. Não basta decidir inovar para fazer coisas novas e as mais das vezes repete-se quando estultamente se julga inovar. Em educação, a inovação assemelha-se um pouco à fénix da Arábia segundo Cosi fan tutte:

Cosa sia, ciascun lo dice; dove sia, nessun lo sà.

(Fernando Gil, “O Estado e a Responsabilidade Civil: a resposabilidade pública e os seus limites” in Direitos e Responsabilidades na Sociedade Educativa. Lisboa: F. C. Gulbenkian, 2004, p. 167)

A organização ou líder que se limita apenas a aceitar o maior número de inovações jamais vencerá. Na educação, chamamos a estes estabelecimentos “Escolas árvores de Natal”. Estas escolas brilham à distância – tantas inovações, tão pouco tempo – mas acabam por ser superficialmente decoradas com muitos enfeites, faltando profundidade e coerência. (Michael Fullan, Liderar numa cultura de mudança. Porto: Edições Asa, 2003, p. 43)

Nós temos mais uma espécie de “Ministério de Educação árvore de Natal”.

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