Espero conseguir amanhã acabar um post que está em banho-maria desde 6ª feira sobre As Novas Hierarquias neste novo modelo de gestão escolar.

Entretanto, continuo a coligir ideias e contributos para aquela espécie de manifesto que gostaria que estivesse pronto ainda esta semana.

E pouco mais, para deixar as ideias assentarem e amadurecerem.

E como é uma experiência próxima daquela que eu também observo, deixo aqui o testemunho de uma colega, chegado por mail, não destinado a publicação e que por isso mesmo deixo reservada a identidade da autora:

Estou revoltada, frustrada e desanimada mas vejo que a(o)s colegas à minha volta partilham os meus sentimentos. Como lá conheço pouca gente, observo coisas interessantes, como, por exemplo, 7 pessoas à volta de uma mesa a discutirem quando podem ou vão reformar-se, pois sentem-se incapazes de continuar por muito mais tempo sem enlouquecer. Algumas dizem que preferem comer apenas um prato de sopa por dia a terem de continuar neste manicómio.

N.

Quanto ao repetido apelo do Presidente da República para o envolvimento e motivação dos professores nos processos de mudança em curso na Educação, penso que estamos entendidos.

Porque este testemunho e este tipo de quotidiano está longe de ser caso único.

Talvez fosse esse o objectivo: esta equipa ministerial e este Governo conseguiram desmoralizar em dois anos a larga maioria da classe docente (e olhem que muito aturámos nós até aqui) e colocá-la a pensar em toda e qualquer possibilidade de se irem embora, os que andam na casa dos 30 e mais anos de serviço a pensar seriamente na aposentação mesmo com importantes perdas de rendimentos e os outros a reconsiderar todas as alternativas de emprego que desperdiçaram ou recusaram para se dedicar à docência.

De certa forma, penso que o sector valteriano da Educação é isso que pretende: criar espaço para dar lugar a toda uma geração de cordatos novos professores generalistas de aviário, sem memória de outros tempos, ansiosos por um posto de trabalho proletarizado, dóceis para com as directrizes superiores e as lideranças fortes emanadas da “comunidade”.