Sábado, 5 de Janeiro, 2008


Foi deixado mais abaixo o seguinte comentário do Manuel Baptista:

Olá,

Penso que a discussão em blogosfera não avançará nada, se não houver um documento (a ser apresentado como rascunho, para acolher melhorias ao longo de um X tempo) que faça uma crítica do projecto. Menos que isso, torna a discussão num sem fim de posts e de comentários aos mesmos, sem nenhuma síntese.

A minha proposta é:

– Fazer-se um documento (1º apresentá-lo como rascunho, depois trabalhá-lo)
– Reunirmos numa Escola Pública para discussão final e aprovação do documento
– Sair também dessa reunião uma «coordenadora» inter-escolas, que possa dinamizar um debate localizado.

Será possível colocares esta proposta em destaque?

Obrigado antecipadamente.
Manuel Baptista

Concordo no essencial com esta proposta.

Aliás, já pedi à autora da ideia original – a colega Isabel Guerreiro – que fizesse o rascunho em causa, mas o Manuel B. também poderia fazer o mesmo. Entretanto, eu amanhã tento alinhavar os pontos que também acho essenciais que devem ser aflorados no tal documento ou manifesto de intenções, assim como analisar outros aspectos do projecto de decreto-lei.

  • Quanto a prazos e encontros: texto revisto por quem estiver interessado no início da próxima semana e, a existir a necessidade de reunião presencial, fazê-la até dia 12 (próximo sábado), sendo que eu tenho horário de funcionário público, só com a aberta da manhã de 2ª feira (e parte da 5ª) e muito poucas outras hipóteses (o pós-laboral, não dá mesmo, a menos que seja desde lado do rio). A partir daí divulgar a iniciativa pela comunicação social.
  • Paralelamente, quem tiver essa possibilidade, dinamizar debates sobre o tema nas suas escolas, centros de formação, etc, nos moldes que bem entenderem, aproveitando as iniciativas sindicais mas indo mais além, se possível com um documento final a estar pronto pela terceira semana de Janeiro.

Tudo isto pode ser discutido por aqui ou offline, por mail, por onde podem circular contactos telefónicos para melhor acerto.

A minha base de operações é fácil de verem qual é, pois está na barra lateral.

Esta iniciativa não deve ser entendida como concorrente ou alternativa de nenhuma outra – aliás começou a ser por aqui discutida há já uma semana – mas sim como uma manifestação complementar independente de um grupo de docentes (e não só) interessados em quebrar as rotinas em que a coreografia da negociação em matéria educativa caiu.

Para que conste: eu, pessoalmente, sou o veículo de uma ideia de que não sou autor, mas a que aderi. De qualquer modo, gostaria de salientar que não tenho (ou tive) qualquer filiação partidária, sindical ou organizacional, nem pretendo ter. Mas são aceites os contributos de todos os que a(s) tenha(m). Só para que não se pense que…

POR UM REGIME DE DIRECÇÃO E GESTÃO QUE DEFENDA
A DEMOCRACIA NA ESCOLA PÚBLICA E RESPEITE A PROFISSÃO DOCENTE

Porque todas as iniciativas são necessárias e merecem apoio.

Há 4 anos acabaram por deitar abaixo o Howard Dean. E desta vez?
Mesmo se acho que o Edwards é o melhor como solução de compromisso com Barack ou Hillary como nº 2 no ticket, esta foi a demonstração de como as previsões, os dinheiros, as propagandas, por si só, não resolvem tudo. E logo no Iowa, um dos estados americanos mais branquinhos que um lençol de linho.

Excelente a iniciativa do Expresso em rever o seu Código de Conduta. Eis uma parte que acho essencial ser praticada em qualquer órgão de informação que se pretenda minimamente sério. Porque bem sei de muito boa gente que preferiu o jornalismo a outras ocupações, exactamente por causa dos “brindes” em forma de viagens, presuntos daqueles ibéricos a sério, vinhos caríssimos, etc, etc.

Assim, “é proscrita a aceitação, pelos jornalistas, de ofertas cujo valor ultrapasse 10% do salário mínimo nacional”; as que ultrapassem este montante “devem ser devolvidas ao expedidor”. Por outro lado, em matéria de convites para viagens, fica estabelecido que “qualquer serviço apoiado por terceiros só pode ser publicado se acompanhado da respectiva menção em local bem visível”. Na área do jornalismo financeiro, estipula-se que “os jornalistas e toda a cadeia hierárquica editorial devem abster-se de comprar e vender acções de empresas”. Uma área cada vez mais sensível é a confusão entre jornalismo e assessoria ou consultadoria de comunicação. O código fixa que “no regresso à actividade jornalística, o jornalista deverá ser obrigatoriamente colocado numa secção que não aborde temática da área em que trabalhou, não podendo voltar às anteriores funções antes de decorridos 12 meses.

Provavelmente, este novo código tornará menos atractiva a hipótese de trabalhar no Expresso para alguns, mas também é possível que anime alguns movimentos de transferência de jornalistas. Na versão completa do código que se anuncia para breve em suporte papel e disponível online, espero ainda encontrar algo sobre ghost-writing.

Seria ainda interessante que outros órgãos de comunicação social seguissem este exemplo, na teoria e na prática.

Mesmo que isso implique que alguns colunistas ou cronistas secundários de outras publicações mudem subitamente de estilo ou se vejam impossibilitados de continuar as suas colaborações.

Quando os contestatários do Poder, a partir do momento em que sentem fazer parte de um círculo de poder, por pequeno que seja (a chamada nomenklatura ou grupo que dá sempre aquele conforto da pertença e inclusão perante os adversários), sentem como ameaça à sua posição qualquer tipo de movimento que lhes escape.

Não há pior neo-conservador do que um ex-revolucionário instalado, por mal instalado que seja.

A nossa história recente está cheia desses exemplos.

E não falo apenas dos grandes exemplos.

Se isso me chateia por aí além?

Nem por isso.

Já estou habituado.

Mais exactamente o novo Programa de Matemática no Ensino Básico. Diz quem percebe do assunto que se inverte grande parte do que tinha sido delineado na última década e tinha funcionado como base na formação dos actuais professores.
Mas, ao mesmo tempo, parece que nada disso será muito relevante se o eduquês continuar presente em áreas como avaliação, como acontece no final a página 12 deste documento (14 segundo a numeração do ficheiro). Porque de boas intenções muito politicamente correctas está o inferno do insucesso escolar cheio e igualmente o purgatório do analfabetismo funcional, mesmo se certificado e diplomado.

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