E eu acredito que a blogosfera anda triste com ele: o Abrupto tornou-se um espaço feito a 80% pelos leitores que mandam fotografias, quantas vezes irrelevantes de qualquer ponto de vista. O resto são excertos do material produzido por JPP para o Público e a Sábado, poemas ocasionais que serão poucos a ler (basta ver o tempo médio de consulta do blogue) e textos a fazer à actual liderança do PSD o que ele criticou a Menezes ter feito a Marques Mendes.

Quando JPP escreve sobre a blogosfera, como faz hoje no Público, deveria ter em conta que ela melhorou bastante mais desde os seus inícios do que o próprio Abrupto. Porque aquele que foi um modelo de espaço de expressão individual na net, tornou-se apenas um tique rotineiro ao que parece para o autor e leitores (também é interessante reparar como as ligações de/para posts do blogue em causa são cada vez menores). O que é pena, em especial para mim que de cedo o admirei, embora o não tenha erguido como modelo.

Resta a frase final da longa crónica, onde se escreve:

Como também tenho um blogue, deixo aos leitores o julgamento do que se me aplica do que digo aqui.

Pois, o problema é que os leitores não têm uma página inteira de Público para dissertar sobre o assunto, nem sequer acesso a comentarem livremente o Abrupto. Ou mesmo de forma moderadamente livre, pois JPP só deixa passar as críticas, quase sempre dos mesmos autores, que se mantêm dentro das regras do seu gosto pessoal. E não esqueçamos que JPP não encara a blogosfera como uma rede em que todos podem comunicar entre si, mas como uma teia que deveria tger o Abrupto no centro, já que ele não comenta em lado nenhum e cada vez se abre para outros espaços.

Mas acredito que JPP tenha agora mais tempo para enriquecer os conteúdos do Abrupto e assim fazer subir, a pulso solitário, o valor da blogosfera nacional.