Programa suscita dúvidas

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O programa Novas Oportunidades, que hoje é tratado nas páginas do Sol, é um programa assumido como emblemático por este Governo e eu concordo que assim deve ser considerado e tratado porque, na sua forma de implementação e funcionamento, é um símbolo perfeito da acção governativa a vários níveis a começar pela área da Educação e Formação Profissional.

  • É um programa que facilmente se presta a eventos propagandísticos de conteúdo fortemente demagógico.
  • É um programa que absorve imenso dinheiro comunitário numa teia burocrática imensa que serve para alimentar redes clientelares tanto ao nível dos Centros de Certificação, Validação e Etc, como dos próprios formadores.
  • É um programa que visa obter alguns resultados estatísticos de forma muito rápida, sacrificando os níveis de rigor e exigência para uma efectiva qualificação dos formandos.
  • É um programa que retrata na fidelidade a opção governamental pelo facilitismo encoberto com uma faceta tecnológica para patego consumir.

Por isso é muito importante que este programa seja monitorizado de forma efectivamente (e não supostamente) independente.

E avaliado não pela quantidade de diplomas produzidos – nesse caso é posso passar centenas de diplomas cá em cas, com algum investimento num bom equipamento multifunções, umas dezenas de tinteiros e uns carimbos – mas pelos efeitos práticos na vida dos diplomados: se melhoraram de emprego e salário graças ao diploma e certificação; se passaram a ter emprego graças a esta validação oficial das suas competências; se integraram projectos de sucesso e inovadores no tecido empresarial ou se permaneceram em postos de trabalho que teriam com ou sem aquela certificação.

Em suma, até que ponto o Novas Oportunidades é aquilo que anuncia: uma via para a qualificação dos portugueses e para a melhoria das suas condições de empregabilidade e, indirectamente, uma alavanca para o desenvolvimento do país.

Ou se é apenas um pretexto para gastar os últimos milhões da UE.

Se cada Centro passa ou não 250 diplomas por ano é um detalhe, que revela mais a obsessão cosmética do Governo que outra coisa. Se em cada 250 diplomados um nível apreciável (30%?, 50%?, 70%?) beneficiar objectivamente do projecto em termos do seu grau de empregabilidade e nível salarial, isso sim é um critério de sucesso.

Porque lá temos sempre o mesmo dilema: estamos a trabalhar para algumas estatísticas ou para as pessoas?