Quinta-feira, 27 de Dezembro, 2007


Enquanto Benazir Bhutto era assassinada, hoje na Reitoria da Universidade de Lisboa pude recolher bibliografia variada, grátis, da autoria e em torno de Muammar Al Qathafi, numa das novas grafias possíveis do nome.

O mundo anda às avessas.

Para acompanhar a evolução da situação no Paquistão, este blogue é uma boa opção.

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Mensagem de Natal de José Sócrates vista à lupa

Na noite de dia 25, o primeiro-ministro dirigiu-se aos portugueses num tom optimista. Fomos verificar se a realidade coincide com o retrato feito por Sócrates

O título é de uma notícia do Público de hoje (sem link permanente).
O que é estranho é que este tipo de escrutínio pela imprensa – feito não apenas com base na auscultação de opinadores como é prática comum e aconteceu na cobertura por outros jornais do discurso de Natal do PM – que é muito habitual em outros países por cá é raríssimo.

Agarrar no que é dito pelos políticos e confrontar essa construção discursiva com a realidade. Só tenho mesmo é pena de não ter a edição em papel para ver quais os resultados concretos da análise (a imagem não dá para aumentar muito), mas o Sinistra Ministra tem alguns excertos.

Mas, independentemente disso, esta prática deveria ser algo rotineiro e praticado com os governantes, quando fazem balanços da sua actividade ou mesmo quando anunciam realizações tonitruantes com o apoio de coiso-shows.

Pode dar trabalho e ser desconfortável para com o poder político, mas essa parece-me ser uma das missões mais evidentes da imprensa que se quer dar ao respeito.

Autonomia, gestão e administração escolar: projecto de Decreto-Lei em consulta pública

26 de Dez de 2007
O projecto de decreto-lei (em anexo) que regulamenta o regime de autonomia, administração e gestão dos estabelecimentos públicos de educação pré-escolar e dos ensinos básico e secundário foi apresentado hoje em conferência de imprensa pelos secretário de Estado Adjunto e da Educação, Jorge Pedreira, e da Educação, Valter Lemos.

O resto da conversa já é conhecido e merecerá por aqui uma análise mais cuidada, assim haja tempo e paciência para encontrar o sentido de algumas passagens ou pelo menos a forma como será possível a sua implementação com o quadro jurídico em vigor, incluindo diplomas aprovados por este mesmo governo. Resta saber o que poderá mudar com a consulta pública e quem são as “partes” a quem foi enviado o projecto de decreto. À Confap foi enviado (no caso da Fenprof a posição já tem duas semanas), pois esta organização faz eco das posições do secretário de Estado Pedreira, nomeadamente esta parte de antologia:

“Podem candidatar-se a director todos os que preencherem os requisitos, não tendo que ser da própria escola ou do agrupamento”, explicou o secretário de Estado Jorge Pedreira. Tão pouco existe a necessidade de ser um professor titular. “Não seria sensato estar a impedir que pessoas que têm formação e experiência nesta matéria não pudessem concorrer a este cargo por não serem titulares”, afirmou o governante. Os requisitos exigidos aos candidatos são limitados: “Basta que seja professor profissionalizado ou que tenha exercido funções executivas durante três anos”, o que abre portas aos actuais docentes no ensino particular e cooperativo.

Qualquer semelhança este esta pessoa e a que proferiu as declarações seguintes, quanto à necessidade de seleccionar rigorosamente os professores titulares é mera coincidência.

Jorge Pedreira referiu que o concurso “permitirá uma avaliação curricular de cada candidato a partir de alguns critérios fundamentais, designadamente a formação acrescida, a avaliação do desempenho e a experiência profissional relevante para efeitos do concurso“.

“A experiência profissional considerada mais relevante para efeitos do concurso é a apreciação da actividade exercida pelos docentes, nomeadamente a valorização da actividade lectiva, assim como o exercício de cargos de maior responsabilidade”, especificou o membro do Governo.

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A mensagem de Natal do primeiro-ministro foi, apesar do seu curto tempo de emissão (7,56 minutos) apenas o 11º programa mais visto do dia de Natal, o terceiro da RTP (depois do Telejornal e do Dança Comigo). O curioso é que foi para o ar precisamente no meio destes “concorrentes”.
Guerra dos mundos ganhou nos números
O filme, passado pela SIC, foi o programa mais visto do dia de Natal, com quase um milhão e cem mil espectadores. Sócrates teve 769 mil espectadores – 23% dos que viam televisão e 8,1% dos portugueses.
(Jornal de Notícias)

 

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Não sei porquê – deve ser do estado quase-gripal – deu-me nos últimos dias para dar uma olhadela ao Diário da República electrónico.

Aquilo é um mundo, sim senhor. Pena não ter uma mesinha daquelas retrácteis no eu WC para levar o portátéle e substituir a leitura que por lá faço e que ocasionalmente acaba nos elementos químicos estranhíssimos que constituem as pastas de dentes e champôs e quase me fazem voltar a lavar os dentes só com água e o cabelo com sabão azul e branco.

Vai daí e encontram-se coisas bonitas, como ia dizendo. Neste caso é mesmo uma coisa notável, pois é o processo de candidatura de avaliadores externos dos Centros Novas Oportunidades que tanta certificação, qualificação e diploma têm dado ao nosso país e continuarão a dar nos próximos anos, até cairmos para o Atlântico de tão diplomados e certificados.

Gosto em particular dos requisitos  (ponto III) que exigem uma formação de nível secundário ou superior e depois elencam (que linha nova palavra que esta é) uns quantos critérios “preferenciais”, onde toda a subjectividade cabe e onde o cartão ou o contacto certo farão toda a diferença na selecção final.

E, como acho desde o início e não estou só nessa crença, é a esta rede de certificadores e avaliadores de certificadores que o projecto das Novas Oportunidades vai servir mais e garantir ocupação adicional rentável, assim como será nesta teia burocrática que os milhões da UE se escoarão preferencialmente.

Os formandos esses, são apenas o pretexto para todo este aparato, assim como funcionam bem como figurantes em alguns “eventos” propagandísticos ou motivo para auto-elogio da política governamental na boca do nosso Porreiro-Ministro.

Por isso mesmo, e pela manhã, a ronda foi outra, em busca dos verdadeiros fundos de catálogo, por vezes apenas pequenas curiosidades, coisas que se deseja reencontrar só pelo prazer de.

Esta obra é um desses casos. Mesmo se o dono da livraria Lácio continua naquela azáfama anual de alterar todos os preços do seu espólio (o que faz com que certas preciosidades continuem anos a fio nas estantes), sempre escapa qualquer coisa a preço modesto, em particular se forem resquícios esquerdistas dos anos 70.

Neste caso, gosto especialmente dos «factos cientificamente estabelecidos» que me fazem imediatamente lembrar certas figuras que actualmente também têm muitas certezas cientificamente estabelecidas, sendo que esse dogmatismo intelectual nasceu exactamente neste período e nestas paisagens políticas. Apenas se passou de um tipo de desconfiança perante a ameaça dos intelectuais enquanto agentes sociais dificilmente inclassificáveis para a defesa da sua desnecessidade para o progresso e o desenvolviment.

À superfície e no fundo, o substrato é o mesmo.

Com efeito, não se pode esquecer um certo número de factos cientificamente estabelecidos, entre os quais se destacam:

– Os intelectuais não formam uma camada homogénea, mnas uma série de meios muito diversificados, que se distribuem por todo o leque de uma determinada sociedade.

– Além de um certo número de «ideólogos activos», que elaboram os conteúdos destinados a dissimular a luta de classes, a propagar uma visão apologética do capitalismo ou a encaminhar a acção das forças antimonopolistas para becos sem saída, a maioria dos intelectuais (incluindo os assalariados) permanece sob o domínio da ideologia burguesa e dos seus subprodutos, por muito violentos que possam ter sido os golpes dados na ideologia dominante desde a Segunda Guerra Mundial.

– Em particular, devido à sua origem de classe e à sua formação intelectual, recebida essencialmente na Universidade burguesa, a maior parte deles hesita em reconhecer «espontaneamente» o papel decisivo da classe operária, que é a única consequentemente revolucionária e cuja importância num´rica e política, não tem cessado de aumentar na França contemporânea.

O mais complicado disto tudo é que, com uns retoques no contexto espacial e em algumas arestas estilísticas, este tipo de discurso ainda existe em alguns sectores da nossa vida política ou, paradoxalmente, fundamenta muita da política desenvolvida por aqueles que aparentam ser contrários  a este tipo de pensamento ou matriz ideológica.

Verdade seja dita qu há 35-30 anos, estavam todos (ou quase) do mesmo lado.

Há várias pistas nesse sentido a partir da minha observação pessoal: por um lado parece ter incrementado a aquisição de sprays de tinta para mal-grafitar (eu gosto de um bom grafito) as paredes por parte de um grupo de jovens cujos pais provavelmente se queixarão dos “furos” dos alunos e da sua insegurança nesses momentos, mas depois os deixam andar de madrugada a estragar o património alheio (felizmente ainda não o meu), pois não precisam de se levantar cedo no dia seguinte. Dispenso-me de dissertar sobre o consumo de substâncias fumáveis de diferente natureza.

Adiante.

Por outro lado, e no meu caso, deixa-me algum tempo nas mãos para fazer o roteiro da desgraça, vulgo, o itinerários de várias livrarias e alfarrabistas alfacinhas, sendo que hoje ficou por fazer o reencontro com os do Bairro Alto, por causa da nóvel Byblos, ali quase defronte das Amoreiras, com quem está indeciso se vai para o Rato ou se volta para Campolide, que me ocupou o tempo disponível pós-almoço.

Primeiras impressões à laia de crítica gastronómica: espaço sumptuoso, menu aparentemente pletórico, boas instalações.

Segundas impressões: é efectivamente uma fortíssima concorrente para todos aqueles que frequentam a Fnac sem ser por causa dos gadgets ou para fazer tempo enquanto a família anda pelo centro comercial. A oferta nacional é bastante boa em alguns sectores, mas está longe de raspar os fundos de catálogo conforme o anunciado.

Pontos fracos: a oferta de obras em outras línguas é relativamente mediana (a Bucholz será sempre preferível e não fica muito longe), assim como em matéria de banda desenhada mantém-se dentro do óbvio com poucas excepções. A pesquisa de obras naqueles écrãs está ainda pouco eficaz, pois chega a não dar resultados para obras que estão à nossa frente (tentei hoje com As Benevolentes do Jonathan Littell, pesquisando pelo nome do autor escrito com a grafia correcta e três variantes erradas e népias, nem a edição francesa que eu queria, nem a nacional que estava ali a 3 metros de distância). O sector das revistas também é fraquinho. O atendimento ainda está a aquecer é malta sem grande tarimba. Hoje pedi um par de revistas que não vi expostas e, apesar do sorriso, o resultado foi nulo, pois nem conheciam, nem consultaram a dita base de dados.

Pontos fortes: literatura nacional e lusófona. Livros para a criançada em idade pré-escolar. Espaço para os miúdos se entreterem. Acessórios para leitores obsessivos e coleccionadores (as lupas, os marcadores, as pequenas lanternas para leitura discreta). Puzzles, papéis, postais, etc. O espaço de cafetaria discreto, sem o ruído nos entrar pelos ouvidos.

Acreditando que a tendência será para melhorar, quer-me parecer que parte do meu orçamento mensal começará a ficar por aqui e não apenas pela citada Fnac e demais concorrência.

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