Um dos mais notórios é o do excesso de pessoal do Ministério da Educação e dos custos associados a um aparelho dito gigantesco da sua estrutura.

Confesso que até concordo com esta ideia quando me lembro dos labirínticos corredores da 5 de Outubro, dos mais alongados da 24 de Julho ou dos mais apinhados, por exemplo, da Praça de Alvalade. Que são aqueles com os quais, por diferentes tipos de necessidades e trabalhos, contactei mais de perto. Ou quando leio a lista de serviços centrais e regionais do ME no respectivo site.

Mas depois o próprio ME me desmente quando parece achar que, de entre tanta gente, boa parte requisitada e portanto escolhida pela sua adequação às funções desempenhadas. não há ninguém com qualificações para desempenhar tarefas de tipo técnico, muito específicas e naturais na área da Educação como:

  • Compilar a legislação existente nesta área, sendo necessário pagar 20.000 euros mensais (o que excede largamente o que receberia uma dúzia de técnicos posicionados a meio da respectiva carreira) a um advogado conhecido da área socialista, cujo irmão mais novo tem a carreira promissora em stand-by. Não sei se, entretanto, isto já é o resultado de tamanho trabalho se apenas o resultado natural do trabalho dos técnicos da área jurídica do ME.
  • Certificar os manuais escolares em circulação no mercado, para o que é necessário acreditar entidades externas ao ME e estabelecer protocolos que podem ir até ao pagamento de 7.500 euros pelo Estado (mais 2.500 por parte das editoras) por cada um dos manuais em causa, sendo que tal custo corresponde em termos líquidos, por exemplo, ao salário mensal de seis professores ou técnicos já na metade superior da tabela salarial.

Sendo que este tipo de tarefas não são em áreas estranhas às funções directas do ME e de alguns dos seus organismos, só posso entender que o excesso de pessoal e a falta de meios financeiros do ME não passam de um mito, maldosamente posto a circular por parte de alguém que quer denegrir de forma insidiosa a imagem da nossa tutela.