Quarta-feira, 19 de Dezembro, 2007


E só sou filho dos anos 60 mesmo em termos biológicos.

Cartoon de Pat Oliphant

The root of educational failure

When curriculum mechanics and lawmakers tinker with the structures and funding issues for schools, I get the feeling that the efforts are almost doomed to failure. New tests and textbooks and policies and money can always improve the tools, but I doubt they will ever make our schools the facilities of learning we intend them to be without another, almost intangible and radical change—one that can hardly be changed with the wave of a pen.

Education is almost fake unless the participants—both teachers and students—really care about the education personally, almost religiously. Else, even those students who appear to do well in the classroom end up with little of lasting value; the motions they go through to impress teachers are forced and essentially fruitless. This is especially true in the public schools, where students attend out of compulsion and lack an upbringing that values education.

Parents that have failed to instill a yearning for knowledge in their children have tied the hands of educators; moreover, they have effectively blindfolded their own children.

Breaking the cycle is hard, though. Parents that don’t value learning in their own lives will be hard-pressed to change their lifestyles to include learning activities in their lives. A parent who abhors reading is not likely to effectively set reading standards high in the house; a parent that hates to be challenged mentally is not going to set the right standards for children.

Shawn Olson, que tem outros excelentes textos como aquele do qual retirei esta citação.

… em que tentei que o Público tentasse publicar uma carta de desagravo em relação a um texto de Santana Castilho, então muito crítico dos professores e dos seus privilégios Agora até parece que escrevemos de forma mimeografada. Esta passagem pertence a uma crónica de ontem que O Cartel tem na íntegra:

Ele [Sócrates] e os três que sentou na 5 de Outubro pensam, como Taylor, que existe uma “the best way” para fazer as coisas e essa são eles que já a escolheram. É a essa luz que a proposta de Sócrates deve ser vista. O que ele procura é um conjunto de peões que executem ordens sem pestanejar e aceitem o jogo estatístico com que se mascara de talha dourada o que não passa de plástico foleiro. Mas o problema da Escola começa muito antes dela e jamais será resolvido no âmbito das suas estritas competências. Se Sócrates fosse além do plástico, compreenderia que é falácia oca a abertura à comunidade e a participação dos pais, com que anunciou o seu (e de Santana Lopes e do PSD também) modelo de gestão das escolas. Os países onde essa participação se afirmou e lhe servem de referência têm um desenvolvimento económico sólido, apresentam níveis de desigualdades sociais esbatidas e começaram a alfabetização universal dos cidadãos há um século. Portugal não foi por aí, infelizmente, e as diferenças aumentaram drasticamente desde que Sócrates está no poder.

É que por momentos, apenas por breve momentos, quase me parece que estou a ler-me, imodéstias à parte, claro.

Cavaco pede ao Governo sucesso interno idêntico ao êxito europeu

Um dos mais notórios é o do excesso de pessoal do Ministério da Educação e dos custos associados a um aparelho dito gigantesco da sua estrutura.

Confesso que até concordo com esta ideia quando me lembro dos labirínticos corredores da 5 de Outubro, dos mais alongados da 24 de Julho ou dos mais apinhados, por exemplo, da Praça de Alvalade. Que são aqueles com os quais, por diferentes tipos de necessidades e trabalhos, contactei mais de perto. Ou quando leio a lista de serviços centrais e regionais do ME no respectivo site.

Mas depois o próprio ME me desmente quando parece achar que, de entre tanta gente, boa parte requisitada e portanto escolhida pela sua adequação às funções desempenhadas. não há ninguém com qualificações para desempenhar tarefas de tipo técnico, muito específicas e naturais na área da Educação como:

  • Compilar a legislação existente nesta área, sendo necessário pagar 20.000 euros mensais (o que excede largamente o que receberia uma dúzia de técnicos posicionados a meio da respectiva carreira) a um advogado conhecido da área socialista, cujo irmão mais novo tem a carreira promissora em stand-by. Não sei se, entretanto, isto já é o resultado de tamanho trabalho se apenas o resultado natural do trabalho dos técnicos da área jurídica do ME.
  • Certificar os manuais escolares em circulação no mercado, para o que é necessário acreditar entidades externas ao ME e estabelecer protocolos que podem ir até ao pagamento de 7.500 euros pelo Estado (mais 2.500 por parte das editoras) por cada um dos manuais em causa, sendo que tal custo corresponde em termos líquidos, por exemplo, ao salário mensal de seis professores ou técnicos já na metade superior da tabela salarial.

Sendo que este tipo de tarefas não são em áreas estranhas às funções directas do ME e de alguns dos seus organismos, só posso entender que o excesso de pessoal e a falta de meios financeiros do ME não passam de um mito, maldosamente posto a circular por parte de alguém que quer denegrir de forma insidiosa a imagem da nossa tutela.

Hoje em trânsito fui ouvindo distraidamente a TSF e a discussão em trono dos metros do Porto, Lisboa e Sul do Tejo.

Como este último é o que me deveria interessar caso tivesse interesse, espertei a orelha quando um investigador e especialista muito concorrido na área do PS (posso estar a ser injusto, mas é quando o vejo mais à superfície), que até de reputo de bem acima da média na área das sociologias socialistas (José Manuel Viegas), começou a elaborar sobre o evidente insucesso do MST – Metro Sul do Tejo e não Miguel Sousa Tavares, que esse tem imenso sucesso em todas as estações – e a dizer que o insucesso não era insucesso porque:

  • O hardware é bom [sic].
  • Até se estão a fazer coisas bonitas, como os comboios e as linhas.
  • O insucesso (“relativo”, “aparente” – pois aparenta que a média é de 4 utentes por carruagem nas relativas horas de ponta) resulta do que está à volta não corresponder exactamente às necessidades do projecto do MST.

Foi nesta altura que ia deixando o carro escorregar para a berma e acertar num dos raríssimos pinheiros que vai sobrevivendo nesta área desértica da margem canhota do tejo.