Penso que não é um simples problema de comunicação, mas mesmo um traço de carácter da actual Ministra da Educação quando é confrontada com dados incómodos, opiniões adversas ou questões que fogem do guião.

Irrita-se. Incomoda-se. Insinua.

Hoje voltou a dar provas disso em Guimarães, quando instada a pronunciar-se sobre a discordância dos dados do dócil Observatório que tutela para as questões da Segurança Escolar e os da independente linha SOS-Professor da até agora não atacada Associação Nacional de Professores.

“Há quem queira visibilidade à custa de dados não-verdadeiros e não confirmados”, afirmou, respondendo a perguntas dos jornalistas sobre números divulgados pela linha telefónica SOS – Professor” que apontam para um aumento da violência sobre docentes nas escolas.
(…)
A ministra disse que os únicos dados fiáveis são os recolhidos nas escolas e comunicados oficialmente ao Ministério e esses – reafirmou – “indicam uma tendência de decréscimo no presente ano lectivo”.
Visivelmente irritada com a insistência dos jornalistas, Maria de Lurdes Rodrigues afirmou desconhecer a referida linha telefónica, cujos resultados desvalorizou, atribuindo-os a uma associação que quer visibilidade.
“Isso não me diz nada”, disse.
A governante deixou entender que os dados divulgados pela Linha “SOS-professor” – que indicam uma subida de actos de violência no primeiro trimestre lectivo – não são credíveis por não serem confirmados pelas escolas.

O problema não MLR discordar de quem discorda dela. Isso acontece com todos nós. Se não tivessemos as nossas opiniões e as não defendessemos, as coisas seriam muito bizarras.

O problema é sempre a forma irritadiça e epidérmica como MLR reage a tudo e a nada que a contrarie, sem uma capacidade mínima de encaixe e resposta polida ou civilizada. Sempre com azedume, acrimónia e uma dose inusitada de suspeição lançada sobre quem a contraria. Desde sempre os sindicatos, há uns tempos os professores de Matemática e uma das suas associações, agora a Associação Nacional de Professores.

Vamos lá a ver uma coisa: nenhum detentor de cargo público é obrigado a ter as reacções de uma amiba anémica ou o chamado sangue de barata. Tem o direito de reagir quando se sente injustiçado(a) ou vítima de aleivosia grave.

Mas sempre que lhe fazem perguntas não teleguiadas e previamente combinadas?

Sempre que contestam os numerozinhos laboriosamente bordados pelo ME e serviços dependentes em torno da realidade?

Será que MLR acha que um(a) governante não está sujeito(a) ao escrutínio público da comunicação social e do povoléu?

Porque ela nem sequer tem o argumento de ter sido eleita para o cargo – o que o nosso PM ainda pode alegar em defesa dos seus temper tantrums – pois ninguém sabia que seria ela a ocupar o cargo que ocupa. Nem sequer foi escolhida em concurso público.

Por isso mesmo, deve ter a humildade de saber ouvir e saber responder com um mínimo de cortesia. Porque, afinal, somos todos nós que lhe pagamos o salário ao fim do mês, as despesas de representação e outros subsídios.

E se quer que os cidadãos (professores, jornalistas ou outros) a respeitem, está em posição dedar o exemplo.

Porque se eu fosse assim com os meus alunos, estaria uma grande tenda de circo armada. E seria apontado a dedo como exemplo da má-educação dos professores.