Eu só compreendo como sou tacanho e curto de ideias quando leio e ouço alguém reconhecidamente competente e genial a dissertar sobre um assunto que eu pensava ter percebido, mas afinal não tinha.

Hoje aconteceu-me outra vez quando Luís Campos e Cunha, luminária académica transformada em esperança política por 4 meses e agora em aparente reserva do regime, apareceu no noticiário das 8 da SIC a explicar porque não deve ser referendado o Tratado Reformador da UE, isto depois de um rasgadíssimo encómio à Presidência portuguesa que levou à assinatura do mesmo no Mosteiro dos Jerónimos. Pareceu mesmo uma forma de se chegar à frente para qualquer coisa, mas pode ser apenas impressão minha.

Explicou então LCC ao povo que o Tratado não deve ser referendado porque não existe alternativa. Elaborando melhor, especificou que num referendo devem existir duas alternativas e que neste caso isso não acontece.

Ouvi e embatuquei, entrando em período de completa reavaliação dos meus conceitos.

É que, acreditem ou não, eu estava plenamente convencido que num referendo era feita uma pergunta à qual nós – os que nos damos ao trabalho de ir votar nos referendos, o que no meu caso foi até agora sempre, porque gosto mesmo de referendos, vá-se lá perceber porquê – respondemos através de uma cruz se “Sim” ou “Não” (claro que não estou a contar os alvos e os insultos à ascendência deste ou daquele político ou outro vernáculo por vezes usado nestas ocasiões em que nos deixam exercer a democracia durante uns segundos).

A essa possibilidade de optar pelo Sim ou Não eu até hoje chamava alternativa.

Do tipo: quer a regionalização? Sim ou Não? Quer a IVG? Sim ou Não?

Descobri hoje que afinal isso não é alternativa ou que então, de acordo com LCC, o referendo sobre o Tratado Reformador só poderá conter uma alternativa (obviamente o “Sim”) pelo que não valerá a pena dar-mo-nos ao trabalho.

São visões muito além. Muito à frente. Eu cá fiquei lá atrás, preso em atavismos conceptuais.

Eu confesso que pensava que enquanto pudesse escolher entre Sim e Não (como fizeram holandeses e franceses, por exemplo) estava a escolher entre duas alternativas.

Silly me…