Segunda-feira, 10 de Dezembro, 2007


Eu avisei, isto ia acabar em propaganda pura e dura:

O primeiro-ministro lembrou que da população activa portuguesa, calculada em 5,2 milhões de pessoas, apenas 30 por cento têm o 12º ano de escolaridade.
“Apenas 30 por cento constituem o ´exército inovador` do país. Acontece que 30 por cento por cento não chega”, advertiu.
José Sócrates manifestou-se, no entanto, optimista “porque o trabalho feito assim o permite” referindo que o número de pessoas que ganharam novas competências através da formação obtida com o programa Novas Oportunidades passou de 500 em 2001 para as 50.000 que estarão formadas até ao final deste ano.

chato.jpg

O primeiro-Ministro, José Sócrates, afirmou hoje que o “verdadeiro problema de Portugal é o défice de qualificações”.

socratespinoquioburro.jpg

Primeiro-ministro escolhe educação para tema do debate mensal

José Sócrates escolheu o tema da Educação para o debate mensal de Dezembro – a decorrer amanhã – na Assembleia da República de acordo com a estratégia de que o ataque e a antecipação são a melhor forma de defesa.

Sendo a Saúde e a Educação as áreas da governação onde se tem concentrado grande parte da pressão sobre o executivo – em parte na sequência do discurso do PR em 5 de Outubro, mas não só – Sócrates escolhe uma delas para demonstrar como está à vontade no tema e como o governo tem obra para apresentar.

A verdade é que nos últimos tempos houve uma clara azáfama a ultimar relatórios, que têm sido apresentados em catadupa, algumas vezes quase atropelando a sua conclusão em condições, com recurso mesmo a dados preliminares, só para bloquear críticas. Neste caso a escolha é claramente para tentar abafar a ligeira patuleia resultante dos resultados no PISA 2006.

Há muitos números para citar, muito “sucesso” para propagandear, mesmo se as metodologias deixam a desejar na forma de obter e trabalhar esses números. Assim como, em outras circunstâncias e com uma oposição não comatosa, José Sócrates deveria ter um pouco de precaução pessoal em entrar por áreas onde manifestamente só saberá citar números, fazer declarações políticas tonitruantes, mas sobre as quais dificilmente conseguiria suportar um debate a sério com especialistas a sério sobre o assunto. Porque não é manifestamente uma paixão que o seu passado, mais ou menos remoto, revele.

Só que este debate é tentador por duas razões essenciais:

  • Existe uma aparência de resultados a apresentar: os relatórios sobre a frequência do Ensino Secundário, da redução do insucesso nesse nível de ensino ou mesmo da violência (filtrada e depurada) no espaço escolar, a par da enorme mistificação do programa Novas Oportunidades e da distribuição de portátéles, são de molde a permitir a José Sócrates exibir aquilo que de melhor se lhe reconhece, ou seja, uma retórica agressiva suportada numa barreira de estatísticas e “indicadores”. Claro que ainda demonstrando que tem gasto menos com pessoal.
  • Por outro lado, temos uma oposição definhada nesta área da governação:
  1. O CDS é fácil de neutralizar quando se limita a questões da “liberdade de escolha” ou dos “cheques-ensino”; Sócrates acusa-os de elitistas, de inimigos da escola pública, saca do passado (já não muito recente) recente do governo PSD/CDS e Diogo Feio fica sozinho, sem grande capacidade de suportar a investida estatística, sobre a qual não costuma apresentar dúvidas.
  2. Quanto ao PSD, e a acreditar nas declarações recentes do seu novo líder, em matéria de Educação é apenas uma versão mais suavizada das posições do CDS, não se distinguindo em muitas outras matérias do PS se não em questões pontuais ou de forma e não de substância. Agarrando-se também ao tema da “liberdade de escolha” das famílias e não apresentando nada para além de um liberalismo de bolso que o distinga do CDS ou do próprio PS, fará ruído mas pouco mais, pois nas suas fileiras parlamentares estão notoriamente ausentes verdadeiros conhecedores na matéria, capazes de desmontar o discurso governamental, em especial as estatísticas do “sucesso”. O “jovem” Pedro Duarte é, nesta matéria, apenas um junior pouco rodado pouco capaz de ir além de um ou outro duelo verbal sem grande consistência
  3. O PCP, se nos abstrairmos do sempiterno slogan da «defesa da escola pública», tem-se caracterizado por um estranho vazio nesta área, em especial ao nível de medidas alternativas concretas para a organização do sistema de ensino. Luísa Mesquita, a sua primeira linha na área da Educação, foi lançada fora e não se percebe quem, de entre as jovens esperanças, conseguirá dizer mais do que o mesmo do costume. Relembremos que por alturas da discussão do Estatuto da Carreira Docente, o PCP não parece ter sido capaz de congregar o necessário apoio para pedir a análise da sua constitucionalidade, tendo preferido a aposta nas acções sindicais.
  4. Já o Bloco é a completa nulidade nesta matéria ou, pior, entra por territórios perfeitamente panfletários e facilmente ridicularizáveis como a iniciativa recente que teve em matéria de Educação e que deu origem a discursos e posições a roçar a caricatura.

Perante este cenário de uma oposição débil em matéria de Educação, o Primeiro-Ministro vai tentar fazer uma (des)carga que deseja decisiva no sentido de eliminar focos parlamentares de oposição nesta área crítica da governação, apresentando as suas políticas como as únicas possíveis e eficazes.

E esse é o perigo: um debate nesta matéria que revele uma oposição sem projectos alternativos credíveis ou capacidade de desmontar «os números do sucesso» corre o risco de acabar em vitória clara do PM por ausência de adversário à altura, sendo que a altura necessária nem é muita. E em matéria de Parlamento, a menos que grossa asneira seja feita na 5 de Outubro – o que é sempre possível – a questão da Educação ficará infelizmente encerrada por bons e longos meses.

E depois resta a oposição da chamada «sociedade civil» que até ao momento tem dado poucos resultados em termos práticos. Os professores, salvo algum movimento recente mais favorável da opinião publicada, têm sido deixados sozinhos na arena, cerceados nos seus direitos, responsabilizados por todos os males e disfuncionalidades do sistema e apresentados como um conjunto corporativo de profissionais acomodados, sem mérito e que parecem estar só a atrapalhar as políticas educativas de sucesso da 5 de Outubro.

E isso é pouco, muito pouco, para os professores. Assim como olham para os partidos com representação no Parlamento e percebem que ninguém está incondicionalmente do seu lado, ou se está tem dificuldade em demonstrá-lo. E o que parece é que todos se acomodaram em deixar o odioso para o Governo, quando no fundo muitos teriam feito exactamente o mesmo ou muito parecido, apenas com diferenças de estilo.

E isso é desanimador porque o «sucesso» que nos é apresentado é falso e parce que há quem só virá a perceber isso demasiado tarde.

Schools to offer parents services

Schools in England may be asked to provide wider services for parents as well as children, under proposals in the government’s Children’s Plan.

This could include help with housing, benefits, parenting skills and health within school-based centres – and a helpline offering parenting advice.
The plan will also call for more information for parents about their children’s learning and behaviour.
But heads warned that schools could not “correct all the ills of society”.
(…)
Social services information and welfare support for parents will be located in school buildings, along with counselling and advice for helping with their children’s behaviour or health problems.
There have been concerns that parents of secondary school pupils feel cut off from finding out about their children’s progress – and there will be initiatives to make information more available to parents.
This could include using websites and e-mail to keep parents in touch with teachers.
But the Association of School and College Leaders, representing head teachers and senior staff, has cautioned that schools could become “overloaded” by such expectations.
The heads’ union says the government increasingly sees schools as a “lever” to achieve its social policy – but it warns that if this is overused it will leave schools facing an unachievable number of competing demands.

 

As referências estão na imagem, que é de um postal recolhido no IlustrArte.

Um terço dos alunos não acaba o curso no prazo

Um em cada três estudantes do ensino superior não termina o curso em que ingressa dentro do prazo previsto. A taxa de insucesso escolar nas instituições públicas ronda os 35%, se consideradas as repetições de ano e as desistências, de acordo com dados oficiais relativos ao ano lectivo de 2004/2005. Significa isto que um terço dos alunos demora mais anos que os necessários para concluir os estudos, troca de licenciatura a meio do percurso académico ou, pura e simplesmente, desiste.

As razões do insucesso escolar no Ensino Superior são medianamente complexas. Globalmente não são muito complexas, apenas um bocadinho.

Nas não me apetece ir por aí. Apetece-me ir pelo caminho básico, linear, patudo, demagógico, que o ME costuma usar para tratar do insucesso e abandono escolares no ensino não-superior. Vamos lá então:

  • Será que boa parte deste terço de alunos que entra no Ensino Superior e depois reprova de forma recorrente (mesmo em cursos bolonhizados) estaria em condições de concluir o Ensino Secundário?
  • Será que o Ensino Secundário está mais ou menos concebido como antecâmara do Ensino Superior ou, em nome da escola da igualdade de oportunidades e resultados, não passa de um segundo ciclo de estudos básicos? E quando a escolaridade for de 12 anos, em dois ciclos, o que esperar?
  • Será que o facto da taxa de insucesso e abandono no Ensino Superior (mesmo com muitos simulacros de cursos universitários) ser muito parecida com a do Ensino Não-Superior não toca nenhuma campainha em lado nenhum?

E agora aquela que me parece a ilação super-óbvia:

  • Se o ME tem realmente uma política de sucesso no combate ao insucesso e abandono escolares, porque não a transpomos para o Ensino Superior? Boa ideia? Tipo Estatuto da Carreira Docente Superior com a progressão dos docentes a depender dos resultados dos alunos (o Jorge Pedreira depois explica as vantagens disso ao SneSup como fez à Fenprof, à FNE, etc) e um Estatuto do Aluno que preveja que se mandem sms para casa dos alunos abzzzzzentistas e provas de recuperação quando eles voltarem da praia ou do solário?

A sério!!! Eu acho que as boas experiências de sucesso devem ser aproveitadas a todos os níveis porque ou há democracia de sucesso ou “comem” (conceito-standard introduzido por Margarida Moreira na discussão das questões educativas) todos pela medida grande.

graduate.jpg

Tenho um prémio blogosférico por agradecer e dar continuidade. Não me esqueci, mas é já a seguir.

Página seguinte »