Sexta-feira, 7 de Dezembro, 2007


Vai começando a estar no Umbigo ao Quadrado, mas olhem que tem dado trabalho. Mais logo coloco o resto…

… ora bem, já lá está toda, sendo que o WordPress não aceitou a coisa em thumbnails e as imagens entraram no tamanho inicial (mesmo trabalhadas, com mais de 500 kb) e depois foi preciso reduzi-las para caberem no formato do post, mas por outro lado não ficam completamente legíveis. De qualquer modo, já lá se explica como é possível isolar as imagens para ler.

Mas por isso mesmo, deixo aqui algumas pérolas para quem gosta dos pontos altos, para além das que já são destacadas nos títulos mais visíveis:

Do ponto de vista científico, eu trabalho com os conceitos standards – saídas antecipadas, abandono precoce, etc – mas do ponto de vista da interpretação não acho que esses conceitos sejam a chave interpretadora do problema.

(suspiro de desânimo equivalente ao lançado durante a leitura de parte do estudo sobre o insucesso escolar do investigador António Martins, também ele um aparente adepto dos conceitos standards)

A verdade é que durante 32 anos, Portugal só deu uma via única de ensino ás pessoas. Ou seja, todos tinham de gostar de “comer” aquele tipo de ensino.

(duplo suspiro, meio “comido” por ter ficado embuchado por mais um conceito standard)

Quando, há cerca de dois anos, o programa Novas Oportunidades foi para o terreno e, no fundo disse que não temos de percorrer todos a mesma via, mas antes ter a capacidade para chegar aos sítios que quisermos, estes números começam a mudar.

(bocejo, enquanto apita o meu detector de lambuzice só-cretina)

Temos que meter na cabeça dos portugueses que fazer as coisas de maneira diferente não significa fazer de forma facilitista. O que se passa é uma grande hipocrisia social. Se calhar, muitos deputados que criticam o que está a ser feito, pela idade que têm e pelas reformas educativas que atravessaram, nunca fizeram um exame na vida. Se calhar, até foi por isso que passaram sempre…

(é impressão minha ou aqui MM estendeu-se ao comprido, em completa espargata retórica? E que idade terá ela? E que exames fez? Por exemplo para o cargo que exerce? E afinal sempre faz bem chumbar e fazer exames?)

O que eu não quero é que pelo sistema de faltas aumente o abandono escolar.

(memorável, absolutamente memorável, a marcação de falta é que fomenta o abandono e não o inverso… é neste momento que começo a arrancar os primeiros pelos da barba a sangue frio…)

No meu primeiro ano, fechei 900 escolas. E, apesar do respeito que tenho por eles, eu não negoceio com presidentes de juntas de freguesia. Não poderia, até porque tenho 96 municípios em mãos.

(e catrapumba, lá vai uma cachaporrada das antigas em qualquer ilusão de territorialização da educação a na área da DREN. MM lá tem tempo para negociar com quem foi a votos? E depois o ruim sou eu…)

Sabe, o Norte tem uma tradição e tem uma reforma da administração local por fazer. Temos um tecido muito disperso, ainda temos muitas localidades dentro das freguesias, e muitas destas localidades ainda tinham escolas.

(horror horribilis… freguesias com localidades e localidades com escolas!!! Fim a esses atavismos!!! Queremos freguesias sem localidades e, se possível, sem escolas!!! Aplainemos o Norte e transformemo-lo no Alentejo onde há poucas localidades e as tradições… É pá… calma que no Alentejo há muita vermelhidão ainda. Pensando bem…)

Fonte: Correio do Douro, 5 de Dezembro de 2007.

Vasco Pulido Valente hoje no Público, a propósito das críticas de pessimismo, a propósito de um inquérito internacional que coloca os portugueses entre os menos confiantes no futuro (andará por aqui mas não o achei):

Segundo o inquérito, os portugueses preferem a honestidade ao poder. Por outras palavras, não querem mudar o mundo, porque desconfiam da mudança. Já lhes basta que não os roubem, iludam ou enganem. É o ponto de vista da vítima. Da vítima da pobreza e da vigarice. Ao próximo (e, sobretudo, ao Estado) só pedem “tolerância social”. No fundo, que não se metam com eles, que os deixem pacificamente no seu campo. Gostam da tradição (embora não se perceba qual; suspeito que a do mito salazarista). Não gostam da “modernidade” nem da mania de os “modernizar”.

Eu acho que por “mito salazarista” VPV quererá dizer não o salazarismo mas a imagem mítica do passado criada pelo salazarismo.

De certa forma tudo isto é o sinal claro do desânimo perante as sucessivas falsas promessas de falsos salvadores da Pátria.

Acho que Sócrates e o seu furor tecnológico apenas agravaram este “atavismo” (para utilizar um termo tão caro ao intelectual vital do momento) nacional e nos forçou ainda mais a desconfiar de tudo o que anuncia a mudança como um bem em si e não como um meio para atingir um objectivo compreensível por todos.

A “carta ao director” da colega Idalina Jorge, hoje no Público, em reacção às declarações infelizes e despropositadas do secretário de Estado Jorge Pedreira sobre os resultados portugueses no PISA 2006. O texto completo está aqui