Excepto casos notórios de inépcia – Diamantino Durão, Maria do Carmo Seabra – ou de contornos duvidosos na sua acção – Alarcão Troni há muito tempo por causa de factores C, Ana Benavente e Valter Lemos por desenvolverem linhas políticas demasiado erradas – não acho que grande coisa se resolva com a dança das cadeiras das remodelações governamentais, em especial em governos em circuito fechado.

Muda-se algo, para que tudo fique na mesma. Não adianta. É uma perda de tempo.

Por isso, a notícia de hoje do Sol que dá Maria de Lurdes Rodrigues como “remodelável” a curto prazo não é especialmente interessante. Até a própria já anda a preparar o terreno para isso. Se ela sair, o maior mal está feito e as perspectivas de sucessãodificilmente farão adivinhar coisa melhor.

Se não, vejamos o conteúdo da notícia e tudo o que ela revela sobre quem efectivamente manda, um pouco como nos tempos de Ana Benavente inamovível na Secretaria de Estado, enquanto os ministros passavam pela 5 de Outubro, pelo menos um deles com o qual já nem mantinha quase contacto:

Dentro do Ministério da Educação, as relações entre Maria de Lurdes Rodrigues e o secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, azedaram devido à polémica sobre o estatuto do aluno. Foi com o secretário de Estado que o grupo parlamentar do PS articulou as alterações ao diploma – e a ministra chegou a queixar-se publicamente de não ter sido informada em tempo útil das mudanças operadas.

Os lamentos da ministra não serão, no entanto, suficientes para anular o peso político do seu secretário de Estado. Afinal, Valter Lemos é da Covilhã, tal como Sócrates, e tem sido o ‘pivô’ na ligação do Ministério da Educação ao aparelho do PS. (Sol, 1 de Dezembro de 2007, p. 9, notícia assinada por Graça Rosendo e Helena Pereira)

Lido isto, que só publicita o que se sabe há muito, percebe-se que uma remodelação ou levará Valter Lemos a ministro (e nesse caso agarrem-se todos que ele destruirá tudo o que ainda houver de funcional no “sistema”, para o reconfigurar à sua medida, inversamente proporcional ao peso político) ou o deixará novamente como eminência-parda de um(a) novo(a) testa-de-ferro.

Maria de Lurdes Rodrigues percebeu tarde – se é que não aceitou esse papel desde o início – que era uma figura decorativa para consumo público. Só que a sua inabilidade e crispação exactamente nessa área, que nenhum retoque cosmético ou gabinete comunicacional conseguem disfarçar, e estando aprovada a legislação prevista, fazem com que a sua presença deixe de ser necessária. E assim se irá, certamente para algo mais do que o seu ISCTE paternal e acolhedor. Enquanto o “ajudante” fica, rejubilante.
Quem se lembrar da história de Luís XIII, sabe perfeitamente que era Richelieu que mandava em França.