Quinta-feira, 29 de Novembro, 2007


Quem tiver espreitado a discussão que por aqui se gerou, perceberá que a certo ponto alguém se descaiu e revelou a mando de quem apareceu.

Já todos o sabíamos – acho que o próprio- mas assim é mais claro.

O comentador Portuga, a dado momento, esqueceu-se que fora enviado como agent provocateur e escorregou no seu próprio tapete, confessando que está a mando da Confap como uma espécie de meu stalker bloguístico.

Andou a perder tempo a pesquisar coisas sobre mim e terá chegado a estes resultados: a minha escrita online distribuída a cerca de 90% pelo Umbigo, umas colaborações por aqui e ali, uns artigos publicados em sites de investigação e nada que me associasse a qualquer malfeitoria ou nomenklatura estranha. Tinha sido mais fácil perguntar-me que eu teria feito o devido esclarecimento.

Por outro lado dá-se a uns remoques acerca da anterior presidente do CE da Confap e insinua que haverá qualquer alinhamento meu com essa tendência que foi defenestrada à força durante este ano. Se fizesse uma pesquisa no Google subordinado ao termo “Confap”, perceberia que uma das primeiras referências é um texto meu de há quatro meses sobre as lutas intestinas da organização, que acompanho com interesse há algum tempo.

Nesse percurso, o Portuga (que vamos imaginar não ser nenhum dos “Henriques” ou “M’s” ou “Albinos” ou “Bastos” ou “Mariasmães”) perdeu a hipótese de esclarecer alguns pontos interessantes como:

  • A Confap existe como representantes das Associações de Pais ou como estrutura dependente do Ministério da Educação, que a subsidia em mais de 93% do seu orçamento?
  • A Confap sobreviveria sem os subsídios trimestrais do Ministério da Educação?
  • Como é que uma Confederação não depende dos seus associados para existir (lembremos a polémica que atravessa a CIP e que tem um dos pontos na parcela de financiamento interno com que as empresas de construção civil contribuem para a sua estrutura representativa) e se gaba de serem essas Federações a dela dependerem?
  • Como se compreende que de um universo de milhares de estabelecimentos de ensino onde existem pais e Associações de Pais, a Confap tenha os seus órgãos dirigentes eleitos por menos de uma centena de eleitores, tendo esse número diminuído para menos de metade em relação a eleições anteriores?
  • O seu actual presidente poderia andar em digressão pelo país – em regime de “voluntariado”, mas com tudo pago pelo que se percebe nas contas da Confap – sem o patrocínio das verbas do Gabinete da ME?
  • Porque o balanço e contas relativo ao exercício do anterior mandato do seu actual Presidente, foi aprovado por uma minoria dos votantes presentes (65 em 136, com as abstenções a serem 68) e o relatório do Conselho Fiscal ainda mereceu menor confiança (está tudo aqui)?
  • Já agora, e por agora, porque foi que o Presidente do CE da Confap escreveu em comentário neste blogue que “não concordo com o que dizem , mas lutarei até à morte para que possam dizê-lo” (atribuindo a frase erradamente a Churchill, sendo que é uma citação apócrifa que um biógrafo colocou na boca de Voltaire), se depois se percebe que existe um enorme desconforto perante a simples crítica pública de certos aspectos do funcionamento da Confap, sendo essa crítica escorada em documentos da própria organização e num protocolo oficial?
  • E, para finalizar, porque afirmou o cidadão Albino Almeida isto, quando publiquei o dito protocolo quase uma semana depois de ele ter assegurado que o incluiria nos documentos online da Confap?

Nada me move contra o Movimento Associativo de Pais em Portugal. Gostaria que ele fosse forte, activo, crítico, interventivo, incómodo, mas já agora independente e autónomo. Que a sua estrutura representativa reconhecida como parceiro pelo ME emanasse dos seus associados e não fosse uma superestrutura artificial cujo financiamento depende de relatórios de actividades entregues para aprovação na 5 de Outubro.

Isto são factos. Não são opiniões.

Se é motivo para andarem atrás de mim, tudo bem. Mas já pensaram que estão a dar demasiado nas vistas? É que em Novembro o movimento global do Umbigo vai chegar perto das 70.000 entradas. São muitos olhos. E podem existir alguns ligados a cérebros bem mais lúcidos e informados que o meu.

Eu, com toda a sinceridade, em vez de enveredar pela vendetta pessoal, provavelmente tentaria que a coisa passasse despercebida. Assim só vai aumentar o ruído.

Por mim, não tenho nada a temer e gosto de uma boa discussão, se possível com ideias lá dentro, como escrevi algures e o Portuga insiste em citar nos seus comentários.

Cavaco Silva envia lei das carreiras da Função Pública para o TC

Presidente pede fiscalização preventiva da constitucionalidade de normas relativas a seis áreas reguladas pelo diploma.

E já agora, em especial para o António Ferrão com quem almocei ontem e com quem conversei exactamente sobre a acção do PR nestas matérias, o que tenho eu dito sobre o nosso azar em termos sido os primeiros a ir para a forca?

Agora não há diploma que afecte grupo profissional que não seja vetado, retocado ou mandado para o TC.

Só espero mesmo que aquele envio do nosso estatuto para o TC pelo grupo do PSD seja para valer.

Quinta-feira, 29 de Novembro (e não Outubro como escrevi inicialmente, certamente porque acho isto demasiado incrível) de 2007, cerca das 16.30: cinco alunos de uma das minhas turmas (25% do corpo discente, cerca de 50% dos alunos com direito a subsídio) recebem finalmente o seu manual de HGP (Porto Editora) nos serviços da Acção Social Escolar.

Sem caderno de actividades. A cerca de quinze dias do final do primeiro período.

Assim se constrói o sucesso escolar dos alunos mais carenciados.

Não deve ser caso único. Aposto que a Confap e os seus associados irão denunciar outras situações similares. Em defesa dos alunos. Mas tentando não hostilizar o ME, não vá o Relatório de Actividades deste ano não merecer parecer favorável.

Do Sucesso

(…)
Esclareço que não tenho nada contra o sucesso. Quem no seu perfeito juízo hesitará um segundo na escolha entre ganhar e perder? Existe um certo romantismo no fracasso e na decadência, como uma simples visita aos clássicos pode confirmar. Os perdedores da História podem ser mais interessantes do que os ganhadores. Tal como os anarquistas espanhóis diziam que “se há governo, estou contra”, também podemos dizer que “se alguém venceu, estou contra”. Mas, tirando casos patológicos, a verdade é que o ser humano aspira naturalmente a ser reconhecido, deseja um estatuto, luta por uma ambição. Quer sucesso.

Só que o sucesso não é condição suficiente para se ser uma “pessoa de sucesso”. “As pessoas de sucesso” falam um código próprio, usam uma linguagem reconhecível, demonstram uma atitude. Para sermos reconhecidos como “pessoas de sucesso”, precisamos de conviver com outras “pessoas de sucesso”. A primeira decisão de uma “pessoa de sucesso” é livrar-se de todos os desgraçados à sua volta. Depois, “a pessoa de sucesso” fala abundantemente do seu sucesso, de como o merece e de como nada do que lhe aconteceu foi por acaso. E, muito importante, sempre que pode, “a pessoa de sucesso” escancara na cara dos outros esse estatuto. São um perigo estas “pessoas de sucesso”. Uma má influência para as crianças que podem querer nos seus sonhos ser uma “pessoa de sucesso”. Vivem em pose permanente. Desprezam quem presumem abaixo deles. (Pedro Lomba no DN de hoje)

Ele parece que diz que é de Direita, mas isso só prova que a inteligência e a perspicácia pode ser independentemente da ideologia.

 

There’s a man I meet
Walks up our street
He’s a worker for the council
Has been twenty years
And he takes no lip off nobody
And litter off the gutter
Puts it in a bag
And never thinks to mutter
And he packs his lunch in a Sunblest bag
The children call him Bogie
He never lets on
But I know ‘cause he once told me
He let me know a secret
About the money in his kitty
He’s gonna buy a dinghy
Gonna call her Dignity

É verdade, conseguiram que um crítico das greves à 6ª feira, se tornasse grevista. Não é para ir passear, como insinuava no domingo Marcelo Rebelo de Sousa. Provavelmente até passarei pela escola – caso esteja aberta – para tratar de uns assuntos da D. Turma.

Como cidadão afectado por algumas posições de uma organização fui em busca do seu modo de funcionamento e do seu financiamento, para perceber o nível de autonomia e independência dessa organização. Nessa tentativa usei meios simples de pesquisa e recolha de informação. Que apresentei de forma clara.

Ao que parece, tal atitude não foi bem recebida e, apesar de públicos, os fundos recebidos não convinha que fossem abertamente conhecidos. Nem o nível de dependência para a respectiva sobrevivência. A reacção parece ter sido simples: vamos atrás dele, vamos apanhá-lo, vamos o que ele fez, escreveu ou ao que esteve ligado. Mesmo escondendo-nos por trás de máscaras variáveis.

Má sorte: não vão encontrar munições para fazerem aquilo que querem e eu vi demasiados filmes e li demasiados livros e vi(vi) demasiadas coisas para ser dessa maneira que me intimidam ou desencorajam.

Página seguinte »