O nexo de encadeamento lógico de quase todo este discurso proferido na abertura da conferência A Escola Face a Novos Desafios. Garanto que não é má vontade.

O ponto 2 apresenta uma descrição histórica sumária do desenvolvimento dos sistemas educativos europeus que está errada para metade da Europa Atlântica ou Ocidental incluindo nessa metade praticamente todos os países não-católicos cuja escolarização se baseou em escolas organizadas pelas comunidades locais com escassa intervenção estatal.

Se bem percebo, no ponto 3 admite-se que tudo o que o ME pretende impor aos professores pode falhar, a menos que profissionalizem a gestão das escolas. O que atendendo ao exemplo vindo da gestão dos Hospitais EPE é realmente uma solução muito aconselhável.

Quanto ao ponto 4, a redundância e circularidade do discurso é tal que me deixou positivamente entontecido. Transcrevo apenas a parte final:

Assim, a somar às competências mais tradicionais ou básicas – como a comunicação na língua materna e em línguas estrangeiras, em matemática e em ciências  – existe hoje a competência digital, obviamente, bem como um crescente número de competências mais transversais.

Refiro-me às competências sociais e cívicas, ao espírito de iniciativa, à sensibilidade e à expressão culturais.

Estas competências representam a actualização das exigências no campo da cidadania, no sentido lato da participação nas diferentes áreas da vida colectiva (a política, a económica, a ambiental, a fiscal) projectadas num espaço mais além do que as fronteiras de cada Estado-Membro.

Brrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr. E pensava eu que o Carlos Zorrinho alinhava o discurso vazio mais entusiástico da nossa praça técnico-política. Afinal há pior. E apresentar a sensibilidade cultural como uma nova competência é uma ideia extraordinária. E então o que dizer da introdução da competência para a participação na vida fiscal? De antologia.

A conclusão tem expressões como «mapeamento da realidade» e «fertilização cruzada» e estaria tudo dito se não ficasse a pérola maior de MLR nesta prosa e que é – em consonância com as suas declarações sobre o Estatuto do Aluno e as eventuais e naturais apetências dos jovens pelo sol – a seguinte:

Desejo também que, além de uma boa conferência, possam desfrutar do nosso sol e clima ameno, passando na nossa cidade uns dias agradáveis.

Pim. Pois.

E as fotos do jantar solene são munta porreiras, pá! 

Pam.

E ainda há quem diga que eu é que sou ruim.

Pum.