Professores muito especiais

Cento e quarenta professores de diferentes áreas de formação estão a dar aulas na Educação Especial. É o caso de Maria, Fernando Gonçalves e Fernando Mendes, docentes há 15, 25 e 30 anos de Português-Francês, agro-pecuária e electrotecnia, respectivamente. A Fenprof acusa a tutela de ter preferido colocar docentes ilegalmente a contratar professores especializados. Já o Ministério da Educação garantiu ao JN que não há mais professores habilitados disponíveis.

Há 25 anos que Fernando Gonçalves dá aulas a alunos do 10º, 11º e 12º anos. Na segunda-feira à tarde quando chegou à escola, onde é efectivo há 22 – a Profissional Agrícola Quinta da Legiosa, na Covilhã – informaram-no que tinham recebido um telefonema do presidente do Conselho Executivo da EB2, 3 do Paúl perguntando por ele, porque tinha sido lá colocado para dar apoio a meninos com deficiências do pré-escolar ao 9º ano.

“Toda a minha vida ensinei no Secundário e de repente vejo-me num jardim de infância. Não sou a pessoa indicada para o lugar.”, afirmou ao JN. Fernando tinha um horário completo, turmas atribuídas e avaliações feitas. E, se a situação não for revertida, a sua escola terá de esperar por um docente para o substituir.

Como poupar dinheiro, não formando e colocando técnicos especializados, vassourando docentes para fora dos seus lugares e, principalmente, não dando o apoio necessário a quem dele mais precisa.

Mas com este ME é apenas business as usual. Aguarda-se a opinião das “famílias” sobre este assunto, desde que não seja para culpar os docentes em causa por não saberem fazer aquilo para que não foram formados e nem têm habilitação profissional.

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