Sexta-feira, 9 de Novembro, 2007


 

Sweet oh luscious life
Celebrate your dreams when you are away
Doesn’t it taste so sweet?
Like it’s growing on oh growing on the trees
Growing on the trees

E prometo que amanhã digitalizo mesmo o artigo da Sábado sobre a prática docente da nossa Ministra. Hoje é mesmo preguiça de s(a)canear aquilo três vezes.

Associações de pais entendem que prova de ingresso para professores é forma de escolher os melhores

(…)
Em declarações à Lusa, o presidente da Confap, Albino Almeida, reconheceu que a prova não é a melhor maneira para elevar a qualidade dos docentes, mas considera que se trata de “um passo”. “As provas de acesso não deviam existir, mas compreende-se porque a formação inicial dos professores não é a melhor”, disse.

Na opinião de Albino Almeida, a prova “pode” vir a seleccionar os professores e permitir, dessa forma, que apenas os mais vocacionados para o ensino ingressem na carreira.

Mas quem é Albino Almeida e o que faz para agora ter voltado à ribalta e poder dar bitaites por dá cá aquela palha?

Mas porque carradas de água salobra é que este homem é elevado pelo ME e se arma em “parceiro”, quando as Associações de Professores – já nem falo nos sindicatos – nem sequer são ouvidas, seja a Associação Nacional de Professores, sejam as Associações Profissionais de Professores das diversas áreas académicas?

O que sabe Albino Almeida sobre a forma de seleccionar os melhores professores, os mais vocacionados ou mais aptos? Que qualificação ou competência excepcional desenvolveu ele para além de debitar as vacuidade que são da conveniência do Ministério da Educação?

A quem serve Albino Almeida? A si e a mais quem? Para o que serve a Confap?

O que têm Albino Almeida e a Confap (existe mais alguém, para além d’Ele que possa falar em nome da organização?) a dizer sobre a formação de pais e encarregados de educação neste país? Aqueles que, sendo docentes como eu, não podem pedir para faltar ao abrigo de nada, para assistirem a uma exposição de trabalhos da classe da sua filha? Ou que são obrigados a faltar para acompanhar as suas actividades, sendo assim penalizados na sua avaliação?

Albino Almeida representa-me a mim como encarregado de educação? Não. Apenas alimenta, a cada inocente jovem que coloca no mundo e no sistema de ensino, o seu ego e a necessidade do ME ter alguém do seu lado em nome das “famílias”.

Triste sina aceder voluntariamente a ser servo em troca de episódicos momentos de fama em forma de coiso.

Greve é faltar, não meter papelinho de artigo, nem repor as aulas, mesmo que isso implique abdicar da avaliação de Excelente (que não teríamos, de qualquer modo…).

Não-greve é faltar no dia, mas depois ir a correr repor as aulas, mesmo perdendo o dinheirinho. Ou declarar que esteve doente e fingir que fez mas não fez e ser apanhado pelo Big Brother informático do ME ou do Minsitério das Finanças. Que no dia 30 vai estar a carburar em pleno e a massacrar os órgãos de gestão das escolas e agrupamentos.

Isto é dito por alguém que fez na vida muito poucas greves, mas as que fez (tirando uma, em que fui grevista à força por abuso de poder de um CE), fez com convicção, tanta como a convicção das vezes em que não fez.

E por quem acha vergonhoso que nada se diga – incluindo o atávico intelectual Vital e tantos outros ex-esquerdistas e ex-tanta coisa, mas que enchem a boca com a defesa dos direitos constitucionais e etc quando se trata da máquina fiscal – acerca da forma encapotada como a  conjugação do ECD com a regulamentação da avaliação procura limitar o direito à greve dos docentes.

E se os sindicatos ainda não perceberam, ou têm dúvidas, já é tempo que as desfaçam e actuem em conformidade.

E não é aqui ao mensageiro que devem apedrejar. Mesmo não me ralando muito com isso, pois tenho a carapaça mais grossa do que a mais velha tartaruga galapaguiana.

É o facto da maior parte da Esquerda acabar por estar prisioneira de discursos labirínticos em matéria de Educação. Labirínticos em termos de incompreensibilidade, mas também em termos de práticas eficazes para modificarem mais do que estatisticamente – e por via administrativa e pressão legislativa – a situação.

O eduquês – teoria críptica e prática laxista – foi uma criação de uma certa esquerda intelectual, pós-moderna, multicultural, crítica e emancipatória, que em Portugal se agregou em torno do guarda-chuva das teorias boaventurianas.

Em termos políticos, o Bloco teve recentemente uma iniciativa perfeitamente desastrada e desastrosa, enquanto o PCP se acantonou na fórmula da “Defesa da Escola Pública” que não se percebe exactamente o que é, para além de ser o que está. O PS há muito que guarda em si muitos dos estandartes do eduquês, colhidos não apenas no seu seio mas também nos arredores.

O resultado é que – se excluirmos os fanáticos neo-liberais do cheque-ensino e dos rankings lidos de forma simplista – acaba por ser alguma Direita a conseguir articular um discurso coerente sobre o sistema de ensino e a própria defesa da Escola Pública. Esta semana foi a vez da inesperada Maria José Nogueira Pinto aparecer a escrever sobre o assunto:

O objectivo deixou de ser o de educar e ensinar. A escola tornou-se um entreposto de todos os problemas, desde os meramente burocráticos até aos eminentemente sociais. Sobre o emaranhado legislativo, as instalações sem condições e a falta de orçamento, caíram as circunstâncias dos próprios alunos: a fragilidade das redes familiares, a solidão, os comportamentos aditivos, a pre-delinquência, o abandono.

Politicamente, não foi relevante saber se se estava a produzir iletrados ou se muitos dos alunos faziam da escola um mero local de passagem. Politicamente, o mais importante eram as estatísticas e os indicadores. Para cumprir estes desideratos impunha-se que todas as crianças estivessem inscritas numa escola. Mesmo que a frequentassem pouco e mal.

Comparar o ensino privado e o ensino público, hoje, é comparar o incomparável. O ensino público português formou gerações e gerações com excelente qualidade. Eu frequentei o ensino público, os meus filhos frequentaram o ensino público. Mas, actualmente, as circunstâncias específicas das escolas públicas, que não podem fechar-se à massificação, não podem selecionar os seus alunos, se desgastam a resolver problemas a jusante e a montante, não têm autonomia organizativa e reflectem as ameaças da sua envolvência externa, impedem-nas de disputar rankings.

Tudo isto é óbvio. Desperdiçámos muito do nosso capital humano ao mergulhá-lo num caldo de cultura laxista, bacocamente tolerante e permissiva, que infantilizou as crianças e os jovens. Mudar é quase um acto revolucionário, é ontológico e do domínio da filosofia dos princípios. Não vale a pena culpar a ministra. Melhor será perceber que a educação não é um problema governamental. É, certamente, um problema nacional com culpas partilhadas. E de difícil solução.

Quanto ao que tomo como solidariedade feminina relativamente à Ministra, tem algum fundamento, pois ela não passa do rosto ocasional de políticas definidas algures por outrém. Mas, de qualquer todo, tudo vale a pena quando a alma não é pequena.

Não é totalmente vintage, mas lá que mata muitas saudades, lá isso mata.

Consegui um dos objectivos impensados no início deste blogue: atingir e o mesmo PageRank de um blogue notável e cheio de notáveis como o Causa Nossa: 5/10. Agora o Céu (leia-se Abrupto com 6/10) é o limite, para mim e para todos vós.

Afinal somos muitos.

Adenda: E esqueci-me de acrescentar que nem costumo colocar raparigas (ou rapazes, que as leitoras até se calhar são mais) em trajes menores para combater a concorrência.

Ponto prévio: é razoavelmente certo que irei aderir à greve de dia 30 e que não reporei as seis aulas que teria de dar nesse dia. O ME ficará feliz com o meu dinheiro e por eu me estar nas tintas para a excelência da minha avaliação.

Mas há algo que eu volto a criticar e que é a forma como os sindicatos funcionam na relação com os docentes, independentemente de todas as dificuldades e obstáculos que enfrentem.

Na minha escola, desde o início do ano lectivo, só apareceram delegados sindicais para colocar uns papelinhos no placard tradicional e foram-se embora. Anteontem apareceu uma delegada sindical com publicidade a uns cursos, mas informou que só falava com elementos do seu sindicato. Quem quisesse informações adicionais teria de se sindicalizar. Imediatamente devolvemos-lhe a papelada que estava a distribuir.

Hoje, já depois de convocada a greve da FP, já temos um delegado de outro sindicato a preparar uma próxima reunião sindical, a fazer na próxima semana. Quando já tudo está decidido.

No meu mundo mental, os sindicatos, enquanto representantes dos seus representados, consultam estes para – pelo menos formalmente – decidirem o que devem decidir. Depois, claro, podem aparecer para mobilizar corpos e almas. Mas, antes seria bonito darem a palavra a quem serve de pretexto para a sua existência. Mesmo que fosse coisa rápida ou ligeira.

No mundo real, onde eu sou lunático, as cúpulas – as vanguardas do “movimento” e da “luta” – decidem, comunicam às bases e depois querem que elas as sigam de forma fiel. Quando estas desalinham é porque são desertores da causa, uns apáticos, gente a quem só acontece aquilo que merece. O que é dito mais ou menos explicitamente se as coisas correm mal. E argumentam com os pragmatismos de ser difícil fazer a tal consulta prévia em tempo útil. Pois……………

Neste caso, até acho que vão correr razoavelmente bem. Mas podiam correr melhor. E a metodologia de colocar o carroceiro à frente da carroça a gritar aos burros para andarem continua a ser a errada. Ainda continua muito por (re)aprender.