Na entrevista televisiva da passada semana, a Ministra da Educação decidiu – com esforço – mostrar-se uma pessoa com compaixão e simpatia pelos deserdados do sistema educativo: aqueles que abandonam a Escola e engrossam as fileiras do abandono escolar. Afirmou então que «esses números [do abandono] para mim têm rostos».

Passagem certamente preparada para fazer efeito e produzir citações a propósito. O que eu gostaria era de saber se também terão rosto os «2000 professores doentes sem redução de horário» que actualmente são obrigados a acumular a totalidade do horário lectivo e não lectivo com tratamentos inadiáveis por causa de razões de saúde de tipo crónico.

Ou se, neste caso, a Ministra apenas os deseja ver pelas costas, expelidos do sistema, em mobilidade especial ou estagnados na sua progressão na carreira, apenas porque estão doentes.