O CCB foi de novo tomado para uma manobra imensa de propaganda onde, para encobrir a contestação ao Estatuto do Aluno e à regulamentação da avaliação dos docentes, o Governo e o ME se apressaram a antecipar apresentações públicas de dados sobre o ano lectivo transacto.

A parte boa é que desta vez não aprece que tenham contratado crianças para passarem por alunos.

Quanto ao resto, temos as habituais manobras decorrentes da manipulação dos dados ou mesmo da sua recolha e classificação.

  • Não sejamos ingénuos: os dados sobre a violência escolar serão sempre menores quando se restringem os critérios de registo das ocorrências enquanto tal. Relembremos que no passado ano lectivo houve muito cuidado em informar as escolas sobre como deveriam preencher as grelhas para o tal Observatório dirigido pelo socólogo João Sebastião.
  • Quanto ao Ensino Secundário, a diminuição do insucesso deve-se a uma estratégia que admito eficaz: criar cursos técnico-profissionais onde a não transição é positivamente impraticável, pois só no fim de todo o curso deve ser feita a respectiva avaliação. Pelo meio, só não passa quem não quer. Assim, obviamente, o insucesso diminui.

Mas não passam de truques, meros truques. Se decretarmos que as mortes nas estradas passam a ser classificadas como paragens cardíacas, os efeitos mortais da sinistralidade rodoviária diminuirão drasticamente.

E depois, claro há as recorrentes incompreensões da Ministra em relação a todos – indivíduos, grupos ou titulares de cargos de soberania – que não conseguem ver o mundo da Educação todo em tons de cor-de-rosa pálido.