Título de post muito descritivo, mas para chamar a atenção para o essencial, ou seja a produção do prometido relatório nacional sobre as provas de aferição que, estranhamente, o ME mantém em ambiente com acesso reservado aos Conselhos Executivos. O normal seria que os relatórios de cada escola estivessem dessa forma, mas o Relatório Nacional não.

Mas como os amigos do Umbigo são muitos, já podemos desfrutar da peça descritiva que, após três meses, pouco passa da agregação das tabelas feitas pelos professores-classificadores e pelas Unidades de Aferição (ver relatório que alguém gentilmente me enviou no fim de semana: afer.pdf).

Do documento pouco se consegue extrair directamente em termos substantivos, embora uma leitura dos resultados obtidos por competências específicas não deixe de susitar algumas perplexidades, conforme o quadro-síntese seguinte.

 

Ora bem em Língua Portuguesa acontece uma coisa estranhíssima. Nas competências da Leitura e Expressão Escrita os resultados são quase equivalentes entre 1º e 2º CEB. Mas no Conhecimento Explícito da Língua a queda é brutal e de mais de 50 pontos (de 64% vpara 11,5% de acerto).

Se nos lembrarmos de toda a confusão em redor da aplicação da TLEBS encontramos uma das origens para a desorientação de alunos e docentes em matéria de ensino-aprendizagem da gramática, pois o que era deixou de ser, mas muito tarde e, em vários caso, foi necessário voltar atrás e refazer percursos.

Mas isso não pode explicar tudo, visto que a parte relativa a esta competência fugiu, previsivelmente, às matérias mais controversas. Resta, portanto, perceber porque no 1º CEB o conhecimento explícito da língua é a competência com maior taxa de acerto, enquanto no 2º CEB os resultados são miseráveis.

Será que foi da forma como as provas foram elaboradas? Se eu fosse ingénuo iria por esse caminho.

Será que os professores do 2º CEB são uma cambada de incompetentes? Se fosse do ME optaria por essa hipótese.

Como sou docente de Língua Portuguesa, tendo acompanhado o processo todo, tenho algumas outras ideias sobre o assunto, até por testemunhos directos. Só que não gostaria de generalizar o que, por enquanto, são casos particulares.

Agora quanto à Matemática como é possível que, no caso do 6º ano, os resultado das competências específicas mais básicas (Geometria, Números e Cálculo) os resultados sejam bem piores do que em competências que, teoricamente, implicam o domínio daquelas (Estatísticas e Probabilidades, Álgebra e Funções)?

Isso seria o equivalente a alguém que, não percebendo muito bem o que são e quais são os órgãos internos do corpo humano, depois soubesse descrever muito bem o aparelho digestivo, respiratório e reprodutor, explicando correctamente o seu funcionamento.

Ou que não sabendo bem o que é uma planta ou animal, depois compreendesse claramente as suas espécies e sub-espécies. Os exemplos podem não ser muito bons, mas dá para compreender a ideia.

Pelo que ouvi a muitos colegas, algo passou tanto pelos critérios da prova, como da sua posterior classificação, que foi progeredindo no sentido de um desajustamento facilitador em relação a certas questões, para limitar os danos nos resultados finais.

Mas posso estar a ler isto tudo mal e, afinal, tudo isto ser natural e lógico.

Só que, lá está, em parte as ideias de Nuno Crato sobre a inexistência de critérios fiáveis e homogéneos de ano para ano, de exame e prova para exame e prova, deixam-nos sem perceber a exacta origem destes fenómenos anómalos.

E claro, para além disso, existem ainda outro tipo de anomalias. Mas essas, pois, são complicadas.

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