Governo quer estimular visitas de estudo a espaços culturais próximos das escolas

A ministra da Educação anunciou hoje que estão a ser criadas condições para que as escolas possam promover visitas de estudo aos museus e espaços culturais mais próximos.

“É uma prática que muitas escolas já adoptaram, a de proporcionar aos alunos visitas a espaços de cultura, de arte ou mesmo de ciência, que importa generalizar”, disse Maria de Lurdes Rodrigues na abertura da Conferência Nacional de Educação Artística, a decorrer até quarta-feira, na Casa da Música, no Porto.

Maria de Lurdes Rodrigues não pára de nos espantar. Recordemos que se os docentes faltarem a actividades lectivas colocam a sua avaliação imediatamente em risco. Recordemos que nas visitas de estudo deve existir um ratio de 1 professor por cada 10-15 alunos. Recordemos que as turmas podem ter 28 alunos. O que implica pelo menos dois docentes nas visitas, por cada turma.

Portanto, se as visitas implicarem uma deslocação de algumas horas e se envolverem mais de uma turma – racionalização do custo dos transportes – há que pedir a colegas do Conselho de Turma que acompanhem a visita. Mas esses colegas podem ter outras aulas, com outras turmas, nesse dia. E deverão deixar planos de aula e actividades para as aulas de substituição. Mas, mesmo assim, devem repor as aulas não dadas, por causa daqueles parâmetros da avaliação que penalizam a falta a actividades lectivas.

Logo, cada visita implica trabalho a triplicar: acompanhar a avtividade, preparar as aulas de substituição e repor as aulas. Portanto, e como o ME anda muito simpático e todos andamos felizes por trabalhar mais pela mesma remuneração, os voluntários para o sacrifício são poucos. Tudo o que eram visitas que permitissem aos alunos saírem do seu ambiente normal estão comprometidas.

Por pura e simples responsabilidade do ME. Que agora tenta esconder as consequências dos seus actos impensados. A tal coisa dos efeitos perversos de medidas muito “boas”. Excelentes mesmo. Para todos, menos para os interessados. Que são os alunos, por acaso.

Espero há que tempos pelo protesto da Confap, sobre o prejuízo que isto implica para as zonas onde os alunos já menos recursos têm, mas em vão.

Por isso, estas declarações de MLR apenas procuram apontar o óbvio: ou as visitas se fazem ao lado da Escola ou vão tender para a inexistência.

O que MLR queria dizer ao afirmar que o Governo está a “criar condições” para essas visitas de proximidade, mais não é do que confessar que, quem fizer outras, acaba penalizado.

Não há que mascarar os factos com peneiras de má qualidade. Porque devem existir limites para a hipocrisia. Mesmo na vida política. Mesmo na triste vida política que vivemos, onde como António Barreto onde sublinhava, a inverdade, a omissão ou apresentação parcial dos factos se tornaram comuns, porque passam impunes e se transformaram num modo de vida. Com os exemplos a virem do topo da hierarquia.

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