A equipa liderada por Boaventura Sousa Santos foi a escolhida pelo Ministério da Justiça para monitorizar o impacto que os novos códigos Penal e do Processo Penal terão nos tribunais durante os próximos dois anos. O trabalho,a  cargo do Observatório Permanente da Justiça Portuguesa, da Universidade de Coimbra, será feito através de inquéritos, estatísticas e entrevistas junto dos gabinetes do Ministério Público e de servios auxiliares da Justiça. Os resultados desta monitorização, que o Governo anunciará formalmente até ao fim deste mês, serão conhecidos gradualmente, através de relatórios permanentes. (Visão, 11 de Outubro de 2007, p. 22)

Não me interpretem mal: eu não acho que o Estado deva excluir dos seus contratos aqueles que apresentam uma retórica que é adversa aos seus princípios básicos de funcionamento actual, como acontece com Boaventura Sousa Santos, que tanto se indigna com as medidas neo ou ultra-liberais que encontra por todo o lado. Acho mesmo que é interessante a forma que alguém como BSS consiga atravessar incólume as mudanças políticas sempre com excelentes contratos para o seu Observatório. É certamente sinal da qualidade do seu trabalho, reconhecida por aqueles mesmos que o dito critica. E um sinal interessante de não discriminação pelos poderes político-partidários que se vão sucedendo.

A mim o que me mete impressão é exactamente o contrário: como BSS convive de forma tão natural com uma profusão de subsídios emanados da Besta. Eu cá não aceitaria dinheiros deste ME para monitorar nada (nem tal hipótese alguma vez se colocaria, eu sei, não me estou a armar…). Por uma questão de princípios e coerência. Mas claro que isso é um defeito meu, ninguém tem culpa disso.

E é bem verdade que não é por embarcar em portoalegrices e antiglobalizações militantes que um tipo deixa de gostar de organizar a vidinha.

E admito sem rebuços: BSS e o seu grupo, que alastrou pelas Ciências da Educação desde finais dos anos 80, mas em especial na fatal década de 90 (Luísa Cortesão, Stephen Stoer, A. M. Magalhães, António Teodoro, Helena C. Araújo, e alguns mais), são, em minha opinião, a vanguarda intelectual do movimento que minou completamente a Educação em Portugal nos últimos 20 anos. E alguns deles merecerão por aqui uma atenção especial.

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