Claro que muitos casos não são singulares e se repetem por muitos agrupamentos e escolas. Só que agora, com a atomização dos «procedimentos concursais» as derrapagens têm menor visibilidade.

Claro também que o ME tenderá sempre a desvalorizar cada caso, apontando para a sua teórica singularidade e realçando que o sistema funciona globalmente bem. Só que neste momento não existe propriamente um “sistema”, mas uma constelação de sistemas  locais, regidos com base nas mesmas regras definidas centralmente.

O resultado acaba por ser a existência de múltiplas situações em que a suposta agilização de processos pura e simplesmente é ineficaz.

Apenas alguns casos entre muitos possíveis ao alcance do meu olhar, na zona onde lecciono:

  1. Numa escola que conheço falta o professor de TIC para todas as turmas do 8º ano e algumas turmas de 9º. Porquê? Um dos docentes está em profissionalização e, no novo modelo concursal, ninguém concorreu especificamente a tal escola para o horário que ficou disponível. Dessa forma, foi preciso esperar que abrisse o prazo para a escola poder abrir concurso público para o lugar, o que só foi possível esta semana. Agora são 3 dias úteis para os candidatos concorrerem e, depois de classificados e ordenados, começar a contactar a lista para confirmar o interesse em ocupar o horário. Cada candidato tem 24 horas para decidir. Não é muito, mas se houver diversas recusas, a coisa vai prolongar-se quase até finais de Outubro. E os alunos à espera, sem qualquer culpa dos docentes ou dos órgãos de gestão da escola. Mas está tudo bem.
  2. Agora uma outra situação, num outro grupo disciplinar, em que foi necessário um docente para um horário incompleto e não especialmente atractivo. Recorrendo às colocações cíclicas, só à 11ª tentativa houve quem aceitasse o lugar. Estamos em meados de Outubro. Resta saber se o ME contabilizará estas aulas não dadas como falta de assiduidade dos docentes, quando tudo mais não passa do que da ineficiência do tal modelo que este ano funcionou muito melhor. Assim o diz a propaganda oficial da tutela, servida aos meios de comunicação social.
  3. Mas podemos ainda ir a outras situações igualmente caricatas, como a falta de colocação de docentes em grupos críticos como Língua Portuguesa, em que até existem docentes oficialmente em excesso, mas em que continuam lugares por prover pois desapareceu um claro sistema central de colocações e substituições. Em várias escolas.
  4. Ou os casos de Juntas Médicas que em inícios de Outubro dão 30 dias para uma docente se restabelecer, o que implica uma substituição por esse prazo. Ora se a esses 30 dias retirarmos os dias necessários para contratação do(a) sunstituto, ficamos na melhor das hipóteses com vinte e poucos dias de trabalho que não terão garantia de continuidade? Alguém aceita um lugar por 3 semanas? Por acaso até há quem faça isso, mas é uma violência e uma precarização enorme da situação profissional. E se depois de aceitar, a docente for obrigada a regressar, para algumas semanas depois se reiniciar todo o processo?

Realmente tudo está muito mais simplex. Só é pena que não esteja mais simples, mais rápido ou mesmo mais eficaz.