Depois de A Pedagogia da Avestruz, agora designado como best-seller na capa do presente volume, o Gabriel Mithá Ribeiro brinda-nos com A Lógica dos Burros.

Declaro desde já que eu teria preferido um título menos óbvio e uma metáfora mais na área dos vegetais, que belos e verdejantes ou subterrãneos os há.

Sei também que é livro que vai despertar amores e ódios como o anterior. Acho que ele procura isso e é uma excelente estratégia comercial, pelo que podemos ter novo best-seller.

É ainda, e no mínimo, eticamente exigível que declare que conheço pessoalmente o Gabriel, embora não falemos há bastante tempo, que ele até foi colega na docência da minha cara-metade, pelo menos em uma escola (numa daquelas onde tive a sorte de nunca ser colocado, para bem-estar dos feudos e vícios lá instalados que merecem sempre elogios da IGE, quando esta lá vai mesmo com base em denúncias de irregularidades), que partilho diversos dos seus pontos de vista e que percebo, em especial com algumas das suas experiências, que escreva sempre com o coração em cima do teclado, especialmente em matéria de títulos e sub-títulos. Assim como conheço quase todos os textos recolhidos neste volume, alguns dos quais ele teve muitas vezes a simpatia de me enviar. Sei também que ele lê o Umbigo, mas que não gosta de deixar comentários.

Claro que também temos as nossas discordâncias, a começar pelo facto de ser obrigado a comprar os seus livros e ele nunca me ter pago o tal café em troca da aquisição da Avestruz. Como os Burros foram agora mais caros, penso que um pastel de nata poderá acompanhar a tal bica.

Guardando para daqui a uns dias recensão mais apurada, gostaria desde já de salientar que os textos sistematizam melhor o pensamento do Gabriel do que o livro anterior, embora pela sua própria natureza – artigos para revistas ou jornais – impeçam muitas vezes uma sua fundamentação mais cuidada. É que muitas vezes há evidências que ficam mais evidentes quando são documentadas ou demonstradas com recurso honesto aos dados disponíveis e a estudos já existentes.

Entretanto, anoto que a versão inicial do título foi retocada. Realmente, a estratégia-choque tem alguns limites (editoriais, claro).