A de Nuno Crato nas páginas da revista Única. Elogiar um professor, coisa cada vez mais rara, a menos que seja um remoto professor primário de há décadas ou uma sumidade académica.

Elogiar um professor que nos tenha marcado como profissional e pessoa, não como mero número ou funcionário do Estado.

Algo que é cada vez mais raro e que, quase certamente, o ME desaconselha.

Eu por mim recordaria dois, entre vários, só com a curiosidade de terem sido homónimos. No 1º ano do preparatório o professor Alberto de Ciências que nos fulminava com o que estivesse à mão para além do olhar se alguém dissesse que os metais derretiam sob a acção do calor e que, em pelo delírio de meados de 70, não cedia a facilidades. Ou no 9º ano já Unificado, o professor Alberto de Português que, perante uma turma absoluta e completamente desvairada (os Conselhos de Turma disciplinares a que assisti como delegado de turma foram muitos), conseguia manter-nos na ordem a ler Gil Vicente, Camões e Carlos de Oliveira e, apesar de manter uma postura do mais impenetrável possível, no final do ano se deu ao trabalho de se dirigir a alguns de nós inquirindo sobre o destino no 10º ano (embora o nível de transição tivesse sido apenas na ordem dos 20%) e dado a sua opinião, fazendo-me perceber que, afinal, apesar da distância mantida, nos tinha observado atentamente todo o ano.