A questão não é nova, o lamento recorrente: afinal, que tipo de sucesso educativo pretendem os nossos governantes?

Um sucesso real que, mesmo expresso em formulações teóricas de recorte duvidoso, corresponda a aprendizagens efectivamente realizadas e competências desenvolvidas, ou apenas indicadores estatísticos de um pretenso sucesso?

As novas medidas prometidas para a permeabilidade no Ensino Secundário são mais uma pedrada em qualquer tipo de política educativa coerente que vise um ensino de qualidade sofrível. A flexibilidade e a liberdade de opções dos alunos não são justificativo para que se possam a andar a recortar disciplinas desta e daquela área, conforme as facilidades, de modo a completar uma espécie de curículo para facilitar o acesso a uma universidade bolonhizada ou de mera conclusão desse ciclo de estudos.

O Ensino Secundário já é neste momento uma completa manta de retalhos, a que agora se irá sobrepôr um labirinto e não um conjunto de «avenidas de liberdade» na expressão utópica de Joaquim Azevedo em obra publicada há uns quantos anos.

O Presidente da República exigiu, há não muito tempo, resultados na área da Educação.

Neste momento não tenho a mais ínfima dúvida que esses resultados existirão em 2009.

Resta saber se há o mínimo interesse em saber qual foi o processo usado para alcançar tais resultados, sendo que por resultados se devem entender uns quadros estatísticos e uns gráficos muito simples para apresentar num Prós e Contras de Setembro de 2009, com uma Ministra de discurso telecomandado e os homens da sombra a sorrir na bancada.

Resta saber se Cavaco Silva – e não apenas ele – está disposto a tomar pelo valor facial aquilo que lhe apresentarão como resultados de uma política de sucesso. É verdade que o início deste ciclo de balda se iniciou no seu segundo governo de maioria, aquele em que um dos actuais secretário de Estado teve os seus primeiros tempos de semi-visibilidade como especialista do IIE para a «pedagogia do sucesso».

Resta, pois, saber, se o actual PR aprendeu com os erros do passado, se apenas está preocupado na inflacção cosmética do tal sucesso conseguido na secretaria.

Mas, se calhar, em boa verdade, isso nem interessa nada porque na hora crucial nada disto vai entrar em linha de conta e apenas se vai escolher esta aparência de governação e uma espécie de oposição comatosa, na qual se destacará o político português preferido dos eleitores de Maringá.