Graças à crónica semanal de Nuno Crato na revista do Expresso, tomei conhecimento com o estudo recente de Paul Von Hippel sobre a ausência de vantagens, em termos de resultados, de anos lectivos mais longos, sendo pouco evidentes os ganhos da full-time ou year-round school, mesmo se o autor constatou, em outro estudo em co-autoria, anteriormente que os cognitive gaps são menores em contexto escolar do que fora dele.

Já este estudo, igualmente recente de Karl Alexander et alli, demonstra que os efeitos negativos das férias se fazem sentir principalmente nos primeiros anos de escolaridade em alunos de escalões socio-económicos mais desfavorecidos, pois as aprendizagens nas férias de Verão tendem a ser relativamente menos cuidadas no plano familiar do que no caso de crianças de estratos mais favorecidos.

Estas conclusões são confirmadas pelos dados incluídos neste estudo-proposta, que sugere a criação de um sistema de estudos de verão, com direito a um apoio financeiro estatal aos alunos mais carenciados, para tosos aqueles que experimentam o chamado summer slide.

Portanto, o que parece inferir-se da conjugação destes dados é que, para alunos de contextos familiares e socio-económicos similares, a extensão do ano lectivo não traz especiais vantagens. No entanto, comparativamente, para os alunos de estratos mais desfavorecidos, em particular os que não dispõem de um acompanhamento familiar durante as férias no sentido no sentido de consolidarem as suas aprendizagens, as perdas podem ser significativas.

De qualquer modo, e como Von Hippel destaca no final desta última peça, as escolas com anos lectivos praticamente contínuos têm um sistema de férias mensais que fazem com os dias de escola efectiva sejam sempre cerca de 180 (entre nós os valores são sensivelmente os mesmos ou até superiores com as 38 semanas oficiais de aulas).

Concluindo, mais do que mera extensão do ano lectivo ou do sistema de férias, o factor determinante no combate aos défices de aprendizagens dos alunos parece passar pelo acompanhamento familiar das crianças e jovens durante as férias. E claro que esse acompanhamento não tem beneficia das mesmas condições em todos os contextos sociais.

E é nesse plano que muitas vezes nos esquecemos de intervir. Só reduzindo as disparidades socio-económicas poderemos proporcionar melhores ambientes de aprendizagem para crianças e jovens na escola e fora dela.

Porque o tempo passado fora da escola pode ser devida e proveitosamente usado, caso existam as condições para isso (outras leituras aqui e aqui).