A Ministra da Educação decidiu brindar-nos ontem com nova investida numerológica combinando indicadores como a quebra demográfica, redução do número de alunos no sistema de ensino público, aumento do número de professores no mesmo período e ratio alunos/professor.

Tudo assim bem misturado e salganhado.

Alguns números não estão errados. Só que são recortados de forma selectiva, relacionados de forma causal mas desajeitada, apenas servindo objectivos de propaganda política e não o verdadeiro esclarecimento da opinião pública.

Ora, eu por acaso até me dou ao trabalho de comprar – COMPRAR, vejam lá – os volumes de estatísticas da Educação do GIASE e o que lá econtro é algo contraditório com as conclusões que Maria de Lurdes Rodrigues pretende transmitir ou, quando não explicita por completo o seu discurso, que pretende dar a entender por meias-palavras a quem a ouve.

E o que me dizem essas estatísticas sobre o ratio alunos/professor para a última década, para o sector público (cf. pp. 47ss do volume representado na imagem, os anos podem variar com os dados disponíveis e não com qualquer selkecção minha)?

giase.jpg

Relação Criança/Educador de Infância:

1997/98 – 14,2.
2005/06 – 14,1
Ano com valor mais baixo – 1999/2000 (13,3)

Relação Aluno/Docente (1º ciclo):

1996/97 – 13,9
2005/06 – 13,9
Ano com valor mais baixo – 2002/03 (12,4)

Relação Aluno/Docente (2º ciclo):

1999/2000 – 7,7
2005/06 – 7,3
Ano com valor mais baixo – 2001/02 (7,1)

Relação Aluno/Docente (3º ciclo+Secundário):

1999/2000 – 9,4
2005/06 – 8,1
Ano com valor mais baixo – 2004/05 (7,9)

Estes valores significam três coisas:

  • Excepto o 3º ciclo e Secundário, os ratios têm-se mantido globalmente estáveis desde meados dos anos 90, o que faz estranhar como se explica de forma linear as tendências de quebra do número de alunos e de aumento do nº de professores.
  • Os anos com um ratio mais baixo foram quase sempre verificados em torno da viragem do milénio, já vindo a subir desde então (menos 3º ciclo+Secundário, o que se explica com o alargamento de muitas áreas opcionais que acarretaram a contratação de professores nem sempre com horários completos).
  • Ao contrário do que afirma a ministra estes ratios não demontram, de forma alguma, que nos últimos 10 anos o número de docentes tenha aumentado de forma exponencial e desajustada do número de alunos. Se assim fosse os ratios teriam descido muito mais ou teriam simplesmente descido o que não conteceu.

Sublinho que estes são dados oficiais, publicados pelo ME e retirados directamente dos quadros com critérios claros, não misturando o ensino público com o privado, nem seleccionando a informação conforme as minhas conveni~encias.

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