Primeiro concedem que colocar a fasquia em 14 valores para aceder à docência quando outros chegam a licenciados com trabalhos entregues por fax talvez seja um pouco exagerado.

Depois até admitem que o concurso para professor-titular se baseou numa lógica que conduziu a centenas de situações disparatadas – lá está a teoria dos efeitos perversos em funcionamento, assim como o princípio dos dramatismos individuais a virem à tona – e que é necessário corrigi-las.

Claro que cada uma das concessões à evidência dos factos é um mero acto de hipocrisia pública, tendo sempre o secretário de Estado Pedreira o cuidado de afirmar que estas decisões não resultam de qualquer negociação ou que sequer foram comunicadas às organizações sindicais, mas sim de actos voluntários do ME que, em demonstração de magnanimidade, decidiu corrigir o que antes afirmava ser intocável e infalível.

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Para além de se perceber que Jorge Pedreira se presta ao papel de um simulacro de face humana do ME e o enviado para as missões que implicam o recuo da tutela em questões fulcrais, para isso bastando relembrar o caso da TLEBS. Maria de Lurdes Rodrigues e o seu Sancho Pança mantêm-se na sombra, nunca surgindo a admitir publicamente qualquer disparate, mesmo se parte destes assuntos estão directamente no foro das suas competências (afinal quem é que preparou a legislação sobre o acesso à carreira?).

Que isto aconteça ao mesmo tempo que no site da DGRHE se publicite uma espécie de linha de valor acrescentado (50 cêntimos para receber um SMS) para os candidatos saibam os resultados dos concursos para as necessidades residuais é apenas uma coincidência que realça o ridículo a que tudo isto chegou.