Quinta-feira, 30 de Agosto, 2007


A Gotinha lançou-me o desafio e é deseducado dizer não a uma senhora ou menina (abro excepção para a pestinha que anda cá por casa a pedir “surpresas” ao almoço, lanche e jantar).

A ideia é escrever sobre os últimos cinco livros lidos. O que no meu caso é um problema porque pratico a leitura múltipla e nem sempre percebo bem até que ponto quais foram exactamente os cinco que acabei de ler, ou que estão ainda a meio, ou que foram abandonados por causa da desilusão, ou porque ficaram soterrados sob uma avalanche de papel. Por isso mesmo esta lista é ligeiramente diferente da que lá deixei nos comentários.

 

Robert Wilson, The Blind Man of Seville.
Classificação: 7/10.
Comentário: História policial sólida, mesmo se não destinada a figurar na minha antologia pessoal das 10+ do género.

Vários: Pão Com Manteiga.
Classificação: 9/10.
Comentário: Um clássico nostálgico e imperdível.

Richard Ford: Mulheres e Homens.
Classificação: 6/10.
Comentário: Razoável desilusão, continuando sem perceber porque há quem tanto goste das histórias do homem. São medianamente interessantes, mas não mais do que isso.

Patricia Highsmith, Small g.
Classificação: 6,5/10
Comentário: Livro de despedida e de revisão apaziguada com velhos demónios, nomeadamente a homossexualidade. Mas muito ligeiro.

Vários; Snoopy’s Guide to the Writing Life.
Classificação: 7,5/10.
Comentário: Leiam as tiras e pranchas dos Peanuts (9/10) e saltitem os depoimentos (6/10) sem grande atenção, porque muitos são mesmo para encher chouriços.

E não, ainda não foi neste Verão que conclui a leitura da Guerra e Paz ou a revisão de todo o Dostoievsky, das obras completas do José Luís Borges ou da poesia críptica de um qualquer críptico autor português amargurado e semi-desconhecido. Afinal ainda é Verão e eu sou humano, demasiado humano.

Não sei porquê, mas começa a notar-se o regresso das setôras e dos setôres às respectivas bases. O rankings é de hoje às 15 horas, mais coisa menos coisa.

(c) Antero Valério

É verdade que se me pedirem mesmo, mesmo, para escolher um escritor favorito de sci-fi acabo no Philip K. Dick, por muita alucinação psicotrópica que o homem tenha passado ou por apressadas que sejam muitas das suas obras. Ou até não deixo de nomear a ursula K. Le Guin, o Clifford Simak ou o Ray Bradbury como uma boa segunda linha.

Mas é certo, certinho que em matéria de obra individual propriamente dita, esta do Robert Heinlein ainda é aquela que me marcou mais no momento da sua leitura. Não só porque Valentine Michael Smith veio de Marte para ensinar os humanos a grocar e a partilhar água (quem quiser saber o que é, leiam as mais de 400 páginas em letra miudinha), antecipando muito do espírito do final da década de 60.

Não é uma escolha obscura e muitíssimo erudita porque o autor foi dos mais premiados e com maior sucesso comercial na área, assim como este livro original de 1961 (edição nacional em 1983)  ganhou o prémio Hugo, uma espécie de Nobel para os maluquinhos de ficção científica.

Mas é a escolha certa.

Manuais do 1.º ciclo estiveram em risco

Governo aceitou aumentos por pressão de editoras
A possibilidade de algumas editoras deixarem de publicar manuais do 1.º ciclo, devido à sua reduzida rentabilidade, chegou a ser equacionada durante as negociações do futuro acordo de preços, apurou o DN. Este terá sido, de resto, o factor decisivo que levou o Ministério da Educação a aceitar rever os valores destes livros acima da inflação em 2008, altura em que poderão subir até 6%.

Assim se vê que o ME quando negoceia só espezinha quem pode ou a quem lhe convém. Perante o lobby das editoras já é possível ceder em toda a linha, como se a potencial existência de menos manuais fosse um ai-jesus que o mundo está a acabar.

Aliás, se o número de manuais a concurso para adopção descesse para metade ficaríamos todos a ganhar, excepto as editoras que obviamente preferem ter dois manuais com 10% de mercado do que um com 15%.

Alguém acha, com sinceridade, que deixariam de existir manuais do 1º ciclo se os preços ficassem indexados à inflacção oficial, aquela inflacção que serve para regular os aumentos salariais? Só alguém muito ingénuo ou que não conheça como funcionam as máquinas editoriais. A principal consequência seria uma salutar auto-regulação das editoras na forma como planeiam a produção de manuais e os respectivos custos.

Mas percebe-se que depois do descalabro em torno da TLEBS, o ME sentiu que não tinha autoridade para impôr o que quer que fosse às editoras que levaram o barrete de fazer manuais e gramátivcas de Língua Portuguesa que agora vão ficar nas prateleiras.

A Confap já apareceu a protestar contra estes aumentos, mas é claro que a sua voz só interessa e é valorizada quando serve para atacar os docentes de forma instrumental.

E assim mais uma vez se desmonta o mito do grande poder dos sindicatos dos docentes junto do ME. Assim como se revela que, afinal, as políticas ministeriais estão longe de obedecer a princípios de interesse público, ou mesmo de rigorosa contenção orçamental, a menos que os alunos beneficiados com os dinheiros dos SASE ainda venham a sofrer maiores restrições.

História e Geografia de Portugal
Língua Portuguesa
Estudo Acompanhado
Formação Cívica
TIC
Sala de Estudo/Substituições

Quem é que diz que já não sou um verdadeiro professor generalista? Só me falta Área de Projecto, porque também não dá para incluir mais horas.
Mas só posso, com sinceridade e nenhuma ironia, agradecer por terem acedido ao meu pedido de horário de funcionário público.

Um beijinho para a Isabel C., ora pois, porque ter de me refazer o horário todo graças à forma como a DREL aplica legislação a gosto não foi coisa fácil. Mas eu continuo a esperar pela resposta à reclamação dentro do prazo legal – telefonemas não contam para efeitos oficiais e se as leis são para aplicar, são mesmo para aplicar – para além de que espero pelo parecer da Provedoria de Justiça.