Terça-feira, 28 de Agosto, 2007


Normalmente estes refúgios nas memórias do passado mais ou menos remoto não são bom sinal. Alzheimer light chamam-lhe alguns(mas) colegas. Ou então estas viagens no tempo não passam apenas e tão só de uma nostalgia algo reconfortante.

Na semana passada lembrei-me de duas séries – uma televisiva, outra literária – que fizeram parte integrante da primeira fase da minha adolescência, aquela que se passou desde meados dos anos 70. Se a banda desenhada ou séries como o Espaço 1999 e O Caminho das Estrelas são mais óbvias de recordar, a verdade é que provavelmente os livros com as aventuras de Horatio Hornblower, simples marinheiro, tenente, capitão e depois almirante e mesmo lorde, publicados pela Portugália desde final dos anos 60 e a série Veterinário de Província (as primeiras três séries são de 1978-80) me proporcionaram tantas ou mais horas de fruição, num caso da pura e despretensiosa aventura de piratas, que começava a ficar fora de moda, e no outro de deslumbramento por uma perdida bucólica ruralidade britânica pré-Segunda Guerra Mundial.

Mesmo se nunca fiquei a querer ser veterinário, por muito que a fleuma do Siegfried e o destranbelhamento do seu irmão júnior Tristan me cativassem, um pouco mais do que o bom-senso militante do herói acidental James Herriot (e já agora, nunca percebi porque só traduziram o livro por cá exactamente 30 anos depois da edição original e apesar do sucesso da série, retomada nos anos 80).

Vai daí, e como não consegui encontrar por perto nenhuma edição nacional disto, nada como recorrer aos bons serviços da Amazon e três dias depois eis a nostalgia em vias de satisfação, sendo que o volume de C. S. Forester é um omnibus com as três primeiras aventuras de Hornblower.

E desculpem-me lá esta divagação memorialística, mas as férias também são para reencontrar velhos amigos de infância e adolescência.

E já só restam cinco dias.

E trouxe os seus apontamentos de férias.

Good Grief, diria o pobre Charlie Brown. Pérola descoberta através do Blasfémias.

Como parece que muita gente já vai regressando de férias, assim como porque a partir de dia 3 vai ser difícil arranjar o tempo e a paciência, vamos lá acabar uma ou duas séries de textos que começaram e não acabaram antes das férias. No caso desta, baseada na obra A avaliação dos professores e os resultados dos alunos de Pamela Tucker e James Stronge, cuja primeira e segunda partes já ficaram para trás, fica agora a terceira e última sobre as estratégias de implementar a instrução e de controlar o progresso e o potencial dos alunos.

Quantio à implementação da instrução, dizem os principais estudos que os professores eficazes:

  • Optimizam a instrução através de métodos directos, utilizando aprendizagens práticas e resolvendo problemas ao longo do currículo com base nas experiências dos alunos.
  • Comunicam os conteúdos e expectativas aos alunos de forma clara, estabelecendo o diálogo com base em questões tanto suas como dos alunos e usando trabalhos de casa classificados como estratégia de, formnecendo um feedback construtico, comunicar aos alunos as intenções do professor.
  • Envolvem os alunos na aprendizagem através da diversificação das estratégias pedagógicas, das actividades desenvolvidas e tarefas atribuídas, sendo maximizado quando as actividades em causa estão autenticamente relacionadas com ois conteúdos estudados; as instruções dadas aos alunos para estas actividades devem ser faseadas e exemplificadas de forma clara, sendo esse o melhor caminho para obter um maior sucesso.

Quanto à forma de controlar o progresso dos alunos devem:

  • Ser utilizadas pré-avaliações para apoiar o ensino orientado das competências de acordo com as finalidades propostas.
  • Sr acompanhado de perto o trabalho dos alunos para detectar sempre que existam concepções erróneas da sua parte quanto ao que é pretendido,
  • Se novamente leccionadas as matérias que os alunos demonstram não dominar e
  • Deve ser fornecido um feedback atempado e individualizado a cada aluno sobre o seu desempenho.

Como se pode ver, nada disto constitui uma redescoberta da pólvora ou da roda, mas apenas uma sistematização de tudo aquilo que já sabemos ser assim, só que nem sempre é possível quando temos 150-200 alunos para aplicar todas estas fases de monitorização do desempenho individual de cada aluno e uma aula de 90 minutos ou 90+45 durante a semana para fazer tudo isto e ainda equilibrar cinco argolas e três bolas em cada orelha.

E não há quadro interactivo que faça este trabalho por nós.

Se é possível fazer isto em condições muito favoráveis no 1º ciclo ou até no 2º ciclo quando os docentes acumulam duas disciplinas e têm turmas com uma dimensão aceitável 15-20 alunos, já é virtualmente impossível, a título de exemplo, no 3º ciclo, quando os docentes lecionam disciplinas com um bloco semanal de aulas de 90 minutos e têm 8 turmas com 25-28 alunos.

Porque se a escola deve ser de massas para poder incluir todos, não deve, contudo, ser massificada ao ponto da indiferenciação e da impossibilidade de, no seu quotidiano, os docentes conseguirem implementar de forma consequente estratégias como as aqui enunciadas que são concebidas como modelos ideais que depois as condições concretas torpedeiam sem dó nem piedade.