Terça-feira, 14 de Agosto, 2007


Há coisa de uma semana que o portal do ME exibe o seguinte destaque:

Concursos de professores estão a decorrer com normalidade

A Direcção-Geral dos Recursos Humanos da Educação (DGRHE) salienta a normalidade com que estão a decorrer os concursos de docentes, tanto para colocação nas escolas como o relativo ao acesso à categoria de professor titular.

Fico sempre, e a cada momento, mais e mais espantado com a capacidade que a tutela tem para transformar o que é normal em algo digo de relevo. 

Os concursos estão a concorrer com normalidade?

Mas o que é suposto esperar-se de concursos para algumas das pessoas mais vulneráveis do sistema, que decorrem em pleno período de férias, através de candidaturas online?

É óbvio que não existem as filas dos velhos mini-concursos!
Mas também é verdade que, até ao ano passado, estas pessoas nem concorriam nesta altura.

É verdade que não existem manifestações de rua perante a desorientação que atinge muitos órgãos de gestão na definição de quem é ou não obrigado a concorrer no caso de QZP’s ou dos serviços de apoio da DGRHE, que não dão esclarecimentos coerentes!
Mas também é verdade que estamos em férias, época pouco propícia a grandes atenções ou mobilizações, com metade dos docentes, esgotados, acabados de sair de um concurso adicional para professor titular.

É verdade que os docentes em causa estão a apresentar as suas candidaturas de forma ordeira.
Mas também é verdade que isso resulta da inexistência de alternativa, pois ou fazem isso ou são expelidos do sistema ou atirados para situações de ainda maior precariedade.

Afinal até que ponto o ME considera ser legítimo levar a sua estratégia comunicacional de auto-elogio?

Será que ainda assistiremos à tutela congratular-se efusiva e publicamente apenas porque os professores respiram sem protestar?

Titular em Linha Recta (Hora Absurda

Nunca conheci quem tivesse dado aulas a sério.
Todos os meus colegas têm tido cargos e dão menos aulas.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes submisso, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parvo,
Indesculpavelmente sabujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para a direcção de turma,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que até tive um processo disciplinar por recusar cargos
Por preferir dar aulas

Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos dos alunos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico nas aulas,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos alunos,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do cargo surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do cargo;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho perfil para titular.

Bardamerda para este Governo de medíocres e salafrários.