Quarta-feira, 1 de Agosto, 2007


You always wanted me to be something I wasn’t
You always wanted too much, oh, oh
Now I can do what I want to – forever
How am I gonna get through?
How am I gonna get through?

«Prescindiu-se da aplicação de uma sanção, de uma forma bastante generosa. (…) Levantaram-se dúvidas se estaria em causa a expressão de uma opinião, (…) não podem restar dúvidas e, por isso, decidiu-se pelo arquivamento do processo», disse a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, reportando ao caso que ficou conhecido pelo nome do professor (Fernando Charrua) alvo de um processo disciplinar levantado pela directora da Direcção Regional de Educação do Norte (DREN), por ter proferido uma opinião relativamente ao Governo, em termos considerados ofensivos, designadamente para com o primeiro-ministro. A expressão do professor em causa foi depois denunciada à direcção da DREN por um outro professor, através de participação.
(…)
Por outro lado, o professor denunciante acabou por ser requisitado para desempenhar funções de assessoria à directora da DREN. Para a oposição ficou o sinal político aos funcionários públicos e ao país. Ana Drago sintetizava o sentido desse sinal recorrendo a uma expressão proferida durante o Governo de Guterres, pelo dirigente e antigo ministro do PS, Jorge Coelho: «Quem se mete com o PS leva. Foi esse o sinal deixado aos funcionários públicos e ao país». (Humberto Costa, Expresso Online)

Só assim se explica o detalhe da gabardina em pleno Agosto.

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A generosidade de não punir e a generosidade da requisição do denunciante. Só é de admirar ainda não se conhecer a generosidade relativa ao instrutor do processo que mão tão “leve” teve na sua proposta de pena. Mas atendendo ao que se soube sobre a sua situação precária na DREN, se lá ficar já é muito bom.

20 mil professores poderão ficar com horário zero

A FENPROF fez hoje um balanço negativo sobre a actuação do Ministério da Educação ao longo do último ano e alertou para o aumento das situações de instabilidade entre os professores dos quadros.

E olhem que eu não sou dos mais fáceis de ser convencidos pela retórica sindical. Só que me parece que se não serão 20.000 poderá ser, pelo menos, perto de metade disso, e estamos a falar de professores dos quadros de nomeação definitiva.

E os que não forem este ano, nos próximos dois anos continuarão em risco, em especial professores de QZP e QE mais antigos, não providos como titulares.

Neste caso como em outros, quem avisa…

Há quem diga que sim.

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Carton de Stan Stossel na The Atlantic.

Já vi pelos comentários que, tal como eu, alguns colegas já se aperceberam da forma como o ME vai gerindo o concurso para titulares, navegando à vista e procurando evitar os escolhos à última hora para não se ver submerso em recursos, reclamações e processos.

Agora, numa manobra que parece não prejudicar ninguém mas que arrepia as regras do próprio concursos, decidiu atribuir provimentos ex-aequo a quem tivesse os mesmos pontos, não aplicando as regras de desempate, em especial as muitos contestadas e contestáveis relativas à assiduidade.

Como em algumas (raras) outras ocasiões, o ME recua no último minuto relativamente aos seus próprios disparates, mas à custa de evidentes ilegalidades, na esperança de, como não haverá a priori lesados (teoricamente poderá haver…) ou então serão menos do que os “beneficiados” pela nova medida, ninguém venha contestar juridicamente a medida.

Agora decidir, em fim de concurso, que parte das suas regras de escalonamento e seriação dos candidatos não é para levar a sério, é uma manifesta admissão da incorrecção ou má concepção dessas mesmas regras.

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Agora a 1 de Agosto arrancam 5 concursos diferentes no site da DGRHE (destacamentos por ausência de componente lectiva, por doença e condições específicas, afectação de QZP e contratados/finalistas admitidos).

Graças à tecnologia é possível durante um mês resolver isto tudo antes de arrancar o ano lectivo. Só é pena que tenham escolhido exactamente o mês em que os professores devem, obrigatoriamente, gozar a maior parte das suas férias.

Para juntar à festa e para que as férias percam completamente o sentido, dos que só a 31 de Julho pensavam ficar livres dos problemas do concurso para titulares, há ainda os que têm uma semana para recorrer das listas finais, para o que fica aqui o manual.

Mesmo que o Verão não estivesse naturalmente quente, só isto já chegaria para fazer subir a temperatura a muita gente.