Sexta-feira, 29 de Junho, 2007


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Aquela em que se faz o apelo explícito à delação, sem qualquer suporte ou esclarecimento sobre o que pode ser considerado “ilegal” em matéria de conteúdos na Internet.

É só anonimamente inserir uma url e esperar que os problemas aconteçam.

Aos outros.

Não tenho mais palavras para explicar o asco que é impossível deixar de sentir perante isto, pelo que recomendo a leitura desta curta crónica de Manuel António Pina, do Alhos Vedros ao Poder e do Citadino, tudo recomendações chegadas por mail.

Entretanto há muitos outros silêncios. Comprometedores e muito, em especial por parte de quem diz que era contra tudo isto nos outros tempos. Os do outro senhor que usava botinhas de meio cano.

Certamente todos se lembram do que se passou a meio da primeira metade dos anos 90 e da famosa defesa do direito à indignação por parte de Mário Soares, então Presidente da República e assumida força de bloqueio de um cavaquismo em segundo mandato decadente e cada vez mais fechado sobre si mesmo.

Passaram cerca de 15 anos e  algumas coisas mudaram muito, mas foram muitas outras as que pouco evoluíram, sendo que nos dois casos nem sempre para melhor.

Eu estava a preparar-me para uma prosa verborreica, indo buscar citações aos diários da Assembleia Nacional dos anos 30 quando o Estado Novo exigia dos seus funcionários obediência máxima ao chefe, assim como sisudez e discrição na execução da política salazarista. Até pensei em ir buscar as minhas passagens weberianas favoritas sobre o que é, ou deve ser, uma burocracia de Estado.

Mas desisti.

Não vale a pena o esforço de erudição livresca.

Decidi antes lembrar-me da nossa História recente e entristecer-me com a falta de coerência da nossa classe política – claro, já sei que me dirão que isso é um dado adquirido, algo que é assumido a partida por todos, incluindo os próprios – e da sua absoluta falta de coragem em assumir frontalmente ao que andam quando passeiam à procura de votos.

O pai (agora mais avô) do direito à indignação, depois de recrutado para uma humilhante derrota nas eleições presidenciais, foi agora arrumado num daqueles cargos honoríficos que servem de prateleira dourada para quem acha que o seu lugar na História ainda precisa de mais uma norta de rodapé. O outro pai, o da teoria das forças de bloqueio, está por sua vez em Belém, em primeiro mandado à espera do segundo, sabendo que não lhe é muito vantajoso, em termos estratégicos, dar muito nas vistas.

Os filhos da época inverteram posições:

  • os que então clamavam contra o autismo cavaquista, que apoiavam todo o tipo de manifestação contra o Governo, subscrevendo rabos mostrados ao léu na 5 de Outubro e dando força a todo o tipo de ataques aos ministros, a começar pelos da Saúde, hoje tornaram-se seríssimos homens de Estado, que defendem o respeitinho como a norma e desaconselham, à força de processos disciplinares e jurídicos, mais demissões, tudo o que lhes pareça atentado à sua (hipotética) honradez e dignidade pública.
  • os outros, os que então estavam do lado contrário ao buzinão e as gravuras não sabem nadar, yô, agora são os que falam em claustrofobia democrática. Esquecendo todo o seu passado e toda uma prática que durou quase uma década.

O problema, como dizia Medina Carreira na entrevista dada esta semana à Sic-Notícias é que os políticos não têm a coragem de apresentar honestamente o seu programa real de governo em período pré-eleitoral, preferindo as promessas vazias de sentido e de exequibilidade. Chegados ao poder, arranjando subterfúgios vários para fazer o contrário do que tinham prometido, vêem rapidamente a sua legitimidade ser colocada em causa pelos cidadãos que se sentem enganados.

Porque o problema nem sempre são algumas das medidas coplocadas em prática, mas sim a opacidade dos métodos usados – o mais habitual actualmente é lançar apara a comunicação social as pretensas conclusões de “estudos técnicos” para ver a reacção geral –  e a sua ausência do programa eleitoral visível para os eleitores comuns.

E mais grave do que isso com este governo – ainda a meio do seu mandato – é a conjugação de uma evidente aborrência para com a necessidade de aturar o zé-povinho que devia estar calado durante 4,5 anos  – só falta ouvir o deixem-nos trabalhar que tão jocosamente criticaram outrora – e a actual falência da capacidade de controle e gestão da informação para esconder ou camuflar uma ausência de política consequente em relação aos sectores mais críticos da governação, o que se traduz num absoluto desnorte de diversos ministros ou o desaparecimento completo de outros.

Tudo isto sintomas de uma fraqueza intrínseca que, quando percebida pelos próprios, tenta disfarçar-se com actos de repressão arbitrária no sentido de dissuadir quem levante a voz.

Triste.

Patético.

E pouco mais.

Mas nem por isso menos inquietante.

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Oh, i wish i was mr.gates son
Pay me my money down
sit on the dock and wach the work done
Pay me my money down

Eu tinha postado uma outra imagem da declaração que professores (e também outros funcionários públicos) eram obrigados a assinar durante o Estado Novo, em parte como mera curiosidade alfarrabística há menos de um ano, mas parece-me que afinal ainda poderá vir a estar actual e a servir de modelo para algo que já esteve mais longe de voltar.

Sócrates a negativos

A descida do PS está longe de ser um factor isolado – é acompanhada pelo decréscimo de popularidade do próprio primeiro-ministro. Em Maio, Sócrates contava um saldo positivo de 2% na avaliação da sua actuação. Agora, chumba na avaliação, contando 14 pontos negativos. Uma tendência que é generalizada no Executivo, com 15 ministros em 16 a baixarem na popularidade. Mário Lino é o caso mais flagrante, mas a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, não anda longe: desce 16 pontos. Ainda assim, não há queda que valha a Correia de Campos. O ministro da Saúde completa o trio dos piores, mantendo-se destacado como o governante com pior imagem junto dos portugueses – volta a cair nove pontos, agora para os 50 negativos.

E ainda temos as últimas novidades. O problema é temos uma espécie de Oposição.