Quinta-feira, 28 de Junho, 2007


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Vocês depois dão-nos uma esmolinha, quando eu, o Antero, o Miguel Pinto, a Maria Lisboa e uns quantos outros que nem nomeio por motivos de segurança, formos posto no olho da rua por insubordinação, quebra do dever de lealdade, declarações jocosas e, na prática, por termos acreditado que existia Liberdade?

O ministro da Saúde, Correia de Campos, aconselhou ontem que as sobras de medicamentos deixados nas farmácias devem ser entregues aos pobres, evitando, assim, o desperdício de fármacos. (Diário Económico)

«Certamente, essa associação tem pobres inscritos da 5ª feira ou da 6ª feira. Talvez pudesse facultar esses produtos farmacêuticos para serem utilizados», respondeu Correia de Campos na ocasião. (TSF)

Notícia e justificação em imagens da Sic-Notícias aqui.

Directora de centro de saúde demitida por não retirar cartaz “jocoso” sobre Correia de Campos

A directora do Centro de Saúde de Vieira do Minho, Maria Celeste Cardoso, foi exonerada pelo ministro da Saúde por não ter retirado do centro um cartaz que apresentava declarações de Correia de Campos “em termos jocosos”.
O despacho de exoneração de Maria Celeste Vilela Fernandes Cardoso foi publicado hoje em Diário da República.
Segundo a agência Lusa, alguns deputados socialistas manifestaram-se “incomodados com a situação”.
“Pelo despacho (…) do Ministro da Saúde, de 05 de Janeiro, foi exonerada do cargo de directora do Centro de Saúde de Vieira do Minho a licenciada Maria Celeste Vilela Fernandes Cardoso, com efeitos à data do despacho, por não ter tomado medidas relativas à afixação, nas instalações daquele Centro de Saúde, de um cartaz que utilizava declarações do Ministro da Saúde em termos jocosos, procurando atingi-lo”, lê-se no documento.
Perante este caso, considera-se demonstrado que Maria Celeste Cardoso não tem “condições para garantir a observação das orientações superiormente fixadas para a prossecução e implementação das políticas desenvolvidas pelo Ministério da Saúde”.

É bem verdade que no clássico O Nome da Rosa de Umberto Eco, toda a intriga e os homicídios se desenvolvem em torno da tentativa de afastar do olhar público um hipotético códice contendo uma dissertação de Aristóteles sobre o riso.

Por um lado, a nosso favor, temos o facto de actualmente a coisa se ficar pelas demissões.

Contra, o facto de a Idade Média, de acordo com a sabedoria livresca, ter acabado há mais de 500 anos, quer tomemos como baliza cronológica a queda de Constantinopla, a descoberta da América ou a abertura da rota do Cabo.

Entretanto, aproveito para esclarecer que, em nenhum ponto deste post, procuro ser jocoso ou, muito menos, desrespeitar a sisudez de qualquer elemento do actual governo, ou de qualquer um do passado ou futuro, ou mesmo de qualquer assessor, director-geral ou regional do ME ou de qualquer outro ministério, instituto público ou instituição equipada ou equiparável. Agradeço ainda que, seguindo as instruções de Pacheco Pereira e Vital Moreira, a caixa de comentários deste texto seja usada com o maior dos respeitos e das circunspecções.

‘ta agradecido.

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Após meses e meses de apoio à ministra da Educação durante 2005 e 2006, a revista Visão parece tomar novo rumo e depois de, na semana passada a ter colocado no lado mais negro do seu Radar de figuras por causa da polémica com a Associação dos Professores de Matemática, esta semana volta à carga por causa das trapalhadas nos exames, retratando-a com aquela tradicional pose de mártir de mãos postas, quando não sabe o que responder às questões.

Perante a generalizada desafeição daqueles que a levaram ao colo durante tanto tempo, espero com um sorriso a ida ao Assembleia da República em 11 de Julho, já quase em época de banhos parlamentares. Aliás, tamanho atraso na ida só se pode perceber com a tentativa de descolar a ministra da sucessão de embaraços que marcou este último par de  meses e de esperar que a silly-season jornalística tenha começado e, nesse contexto, o que vier a acontecer pareça normal.

Os bonecos estão no Umbigo ao Quadrado.

Público, 25 de Julho de 2007

Há umas semanas escrevi sobre um relatório da Comissão que agora tem outro nome (é Nacional e destina-se agora a proteger Crianças e Jovens em Risco), mas que na prática todos conhecemos e conheceremos como de Protecção de Menores.

Lá vinham explicitadas todas as mazelas e maleitas que afligem o funcionamento das Comissões locais, as carências de meios técnicos e humanos, a apropriação dos cargos de chefia por delegados políticos das autarquias e tudo o que mais sabemos.

Mas isso, explicando muito, não pode explicar tudo.

Não querendo entrar em detalhes de situações muito concretas, que naturalmente atentam contra a privacidade das pessoas envolvidas, e até porque nos últimos anos trabalhei em três concelhos diferentes e em todos eles se verificaram situações semelhantes, o que permite uma ligeira panorâmica do problema, é necessário lamentar que, ano após ano, se repitam situações inadmissíveis de demissão das responsabilidades por parte de quem tem como função assegurar a protecção de alguns dos elementos mais desprotegidos da e na nossa sociedade.

  • Não é admissível que, alegando insuficiências próprias na investigação de casos gravíssimos, se mandem arquivá-los por falta de provas e se afirme que existem outras situações muito mais graves (por vezes começa a ser difícil imaginar mais grave do que…).
  • Não é admissível que com o pretexto da falta de tempo e sobrecarga de trabalho, se mandem os professores estabelecer os contactos oficiais com autoridades policiais e médicas destinados a resolver situações da estrita competência das Comissões de Protecção, fazendo com que esses professores depois sejam confrontados com respostas evasivas do tipo, isso não é o modo oficial de tratar desses assuntos.
  • Não é admissível, por muito maltratada que ande a nossa infância e adolescência, que para se conseguirem consultas de aconselhamento pedo-psicológico ou mesmo psiquiátrico, se esperem semanas e meses a fio (a menos que funcione a boa e velha cunha ou o alternativo choradinho) e, na ausência de famílias que acompanhem as crianças e jovens, e sempre com a alegada sobrecarga de horário a que se junta o pretexto das férias de Verão, sejam os docentes a acompanhá-lo(a)s a essas consultas.

Não é admissível isto e muito mais que, como digo, se repete ano após ano, de concelho para concelho, com demasiadas coincidências para não se tratar quase de um padrão de conduta, motivado pela falta de meios, mas também pelo desânimo dos agentes envolvidos.

Enquanto as escolas não tiverem gabinetes especializados no acompanhamento deste tipo de situações (os SPO não servem para isso), com técnicos (no plural) devidamente qualificados para esse tipo de função, tudo isto não passa de uma enorme anedota de péssimo gosto, porque fora delas parece que todos estes problemas são sempre extras mal recebidos.

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A nomeação divertidíssima que o Miguel Pinto fez do Umbigo e de moi-même como uma das 7 Maravilhas da Blogosfera (iniciativa originária de O Sentido das Coisas), considerando-me o “menino” Ronaldo da dita. Eu cá ultimamente, fruto da total ausência de horários e condições decentes para me alimentar, estou mais como o outro Ronaldo, mas isso agora não interessa nada.

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O que interessa é que fico com a obrigação moral de nomear as minhas 7 maravilhas. O que vai demorar mais um bocadinho pois, quando estava com a lista quase pronta, passei pelo Abrupto e vi a nova diatribe do JPP contra a “outra” blogosfera (post das 9.49 de 26 de Junho, porque eu nunca percebo aquele sofisticado esquema de ausência de links directos), aquela que tem comentários livres e deve ir a Tribunal por isso. Sei que estou a exagerar (não muito…), mas ficou-me cá atravessada aquele outro texto sobre o Metabloguismo e o amiguismo blogosférico, prosa que ele afirmava que ia continuar, mas não continuou, esperando eu que não tenha sido graças ao mail que lhe enviei desmontando a limitação do próprio Abrupto em termos de ligações regulares (que o Touchgraph bem demonstra) e abertura de espírito à diferença.

É que já estou (mesmo) a ficar farto das posturas aristocráticas do género, eu é que sei e nem estou para mais do que um dois contraditórios que eu próprio escolho. Não é tão mau como o Vital Moreira, mas com um pequeno descuido…

É que a crème de la crème, em especial a soixante-huitard com pergaminhos na luta anti isto e aquilo, por muito democrática que seja, sempre que tem pretexto, gosta de traçar linhas pouco imaginárias para demarcar o que acha ser a fancaria da feira do que é Rosa & Teixeira opinativa.

Por isso e não só, decidi reformular a lista e fazer uma nova, bem mais aberta, saindo para fora das questões da Educação e apontando os meus refúgios alternativos e puramente de lazer e prazer na blogosfera, onde não vou necessariamente à procura do que me é útil e interessante do ponto de vista do trabalho ou da opinião, mas meramente da diversão, nem estando sequer alguns (a maioria) linkados no Umbigo.

Portanto, as minhas 7 Maravilhas seguem dentro de momentos…