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Lembram-se dos tempos em que o Governo, pela mão do Ministério da Educação e a colaboração na sombra das Finanças, justificou a revisão do Estatuto da Carreira Docente com a necessidade de uniformizar os critérios de progressão e avaliação das carreiras na Função Pública?

Que os professores não deveriam ter privilégios ou um estatuto especial dentro das carreiras dependentes do Estado?

Lembram-se das discussões que por aqui houve com quem – acredito que sempre com a melhor das intenções, mas alguma ingenuidade quanto à boa fé do Governo – defendia essa solução como natural e óbvia, quando eu e outros defendíamos que as especificidades existem e devem ser mantidas de acordo com o perfil de cada função?

Ora bem, hoje o mundo deu 180º nessa matéria e passou a circular em contra-mão, de acordo com o secretário de Estado João Figueiredo que descobriu algo óbvio, só estranhando eu que antes isso não tivesse acontecido.

O secretário de Estado contrapôs que o sistema foi concebido para ser «aplicado em todas as administrações e serviços», podendo «ser aplicado directamente, sem alterações».
Contudo, se for identificada a necessidade de se fazerem adaptações, a lei permite-o, «desde que se respeitem os princípios fundamentais do diploma», sublinhou João Figueiredo.
«É completamente diferente fazer uma avaliação em serviços de saúde, ensino ou segurança», notou o secretário de Estado, acrescentando que em causa estão sobretudo as diferenças entre carreiras, «mas também as especificidades» de cada carreira, dentro do mesmo sistema.
Isto porque a avaliação de um professor não dever ter os mesmos moldes que a de um auxiliar de acção educativa, exemplificou.
João Figueiredo assegurou, no entanto, que «estão criados mecanismos de coordenação, que serão assegurados pelo Ministério», para que as adaptações respeitem os princípios fundamentais do diploma.
Como exemplo prático destas adaptações, o governante apontou o facto do diploma estabelecer, para cada funcionário, um mínimo de três objectivos e cinco competências.

Aliás, desde que se mantenha o torniquete das quotas tudo é possível e aceitável, mesmo que hoje ou amanhã possa ser verdade o que ontem era impensável.

E depois ainda têm a manifesta lata de usarem exactamente os professores como exemplo para demonstrarem aquilo que antes negavam.

É nestas alturas que realmente apetece reabilitar Valentim Loureiro – quando afirma que o futebol não é um mundo diferente do resto da sociedade – e Pimenta Machado, o autor da famosa doutrina de o que hoje é verdade, amanhã pode ser mentira.

Resta saber qual a fórmula usada pelos Vitais Moreiras e Noddys do regime para demonstrarem como tudo isto é coerente e faz parte dum sistema de pensamento minimamente respeitador da inteligência alheia..