Terça-feira, 26 de Junho, 2007


Há muito que acho que em Portugal qualquer tipo de regeneração do sistema político ou de muitas práticas correntes na sociedade é praticamente inviável por causa das teias e emaranhados diversos em que quase todos os protagonistas com direito a chegar ao palco se enleiam.

Agora é desfiar das estorietas de Marques Mendes (ler também este post da Câmara Corporativa) enquanto professor da Independente e qualquer coisa na Universidade Atlântica, uma instituição criada – a meu ver, que é de longe – de forma curiosa quando o foi e com os fundadores, accionistas e outras personalidades que por lá então passaram.

É que nos anos 90 o mundo das universidades privadas é um manancial de histórias destas e de outras muito piores. Faz lembrar o bom e velho rotativismo oitocentista; quando não estão no governo estão nos cadeirões dourados à espera de vez e vai rodando, com todos a cruzarem-se aqui e ali numa promiscuidade que então se julgava passar sem escrutínio público. Se um dia forem passar a pente fino os pagamentos destas instituições muito se perceberia sobre as coincidências do mundo político.

É que quando se zangam as comadres e os compadres…

O tempo neste momento é pouco para ler, compreender todas as implicações e opinar decentemente, mas fica aqui a ligação para que quem de direito e com conhecimento possa dizer de sua justiça, com o agradecimento à Moriae pela referência.

head_scratch.gif

Lembram-se dos tempos em que o Governo, pela mão do Ministério da Educação e a colaboração na sombra das Finanças, justificou a revisão do Estatuto da Carreira Docente com a necessidade de uniformizar os critérios de progressão e avaliação das carreiras na Função Pública?

Que os professores não deveriam ter privilégios ou um estatuto especial dentro das carreiras dependentes do Estado?

Lembram-se das discussões que por aqui houve com quem – acredito que sempre com a melhor das intenções, mas alguma ingenuidade quanto à boa fé do Governo – defendia essa solução como natural e óbvia, quando eu e outros defendíamos que as especificidades existem e devem ser mantidas de acordo com o perfil de cada função?

Ora bem, hoje o mundo deu 180º nessa matéria e passou a circular em contra-mão, de acordo com o secretário de Estado João Figueiredo que descobriu algo óbvio, só estranhando eu que antes isso não tivesse acontecido.

O secretário de Estado contrapôs que o sistema foi concebido para ser «aplicado em todas as administrações e serviços», podendo «ser aplicado directamente, sem alterações».
Contudo, se for identificada a necessidade de se fazerem adaptações, a lei permite-o, «desde que se respeitem os princípios fundamentais do diploma», sublinhou João Figueiredo.
«É completamente diferente fazer uma avaliação em serviços de saúde, ensino ou segurança», notou o secretário de Estado, acrescentando que em causa estão sobretudo as diferenças entre carreiras, «mas também as especificidades» de cada carreira, dentro do mesmo sistema.
Isto porque a avaliação de um professor não dever ter os mesmos moldes que a de um auxiliar de acção educativa, exemplificou.
João Figueiredo assegurou, no entanto, que «estão criados mecanismos de coordenação, que serão assegurados pelo Ministério», para que as adaptações respeitem os princípios fundamentais do diploma.
Como exemplo prático destas adaptações, o governante apontou o facto do diploma estabelecer, para cada funcionário, um mínimo de três objectivos e cinco competências.

Aliás, desde que se mantenha o torniquete das quotas tudo é possível e aceitável, mesmo que hoje ou amanhã possa ser verdade o que ontem era impensável.

E depois ainda têm a manifesta lata de usarem exactamente os professores como exemplo para demonstrarem aquilo que antes negavam.

É nestas alturas que realmente apetece reabilitar Valentim Loureiro – quando afirma que o futebol não é um mundo diferente do resto da sociedade – e Pimenta Machado, o autor da famosa doutrina de o que hoje é verdade, amanhã pode ser mentira.

Resta saber qual a fórmula usada pelos Vitais Moreiras e Noddys do regime para demonstrarem como tudo isto é coerente e faz parte dum sistema de pensamento minimamente respeitador da inteligência alheia..

ah.jpg

Palavras para quê, é um despacho do senhor Secretário de Estado!

É só clicar para ler melhor e detectar as distracções que acontecem a qualquer um, mesmo nestes tempos de assinaturas digitais e correctores ortográficos e sintácticos.

lesmas.jpg

Mariano Gago ao Jornal de Notícias:

Há, de facto, a necessidade de racionalizar a rede do politécnico. É por esse motivo que se aponta para a necessidade de realizar as unidades orgânicas (escolas) dentro dos politécnicos e consolidá-los. Hoje, os politécnicos são apenas federações de escolas. Vão mudar e passar a ser partes de uma instituição consolidada que é o instituto politécnico. Por outro lado, aponta-se para a necessidade de criar consórcios entre instituições quando isso for adequado, medida importante para haver um ajuste da oferta formativa em determinadas áreas. Há instituições em permanência de competição entre si num território muito pequeno..

Começou o prazo para o aperfeiçoamento das candidaturas para professor titular. O manual já está disponível. Infelizmente, e pelo que vou sabendo, as exclusões do concurso são algumas e, como as regras indiciavam, por erros perfeitamente secundários, como a errada designação, em um outro detalhe, das habilitações ou no nº convencional de escola ou agrupamento. Sinceramente, não percebo a razão porque estes campos não podem agora ser objecto de “aperfeiçoamento”.

(Adenda: após aviso em comentário da Maria, fui verificar o manual até ao fim e constato que, afinal, as exclusões ainda não são definitivas nesta fase. Alguém vai ficar muito feliz aamanhã quando eu chegar á escola…)

“Pelos cabelos” é a descrição que melhor se aplica aos colegas de Matemática que entraram em contacto com os critérios de classificação do exame de Matemática para o 9º ano, desde os critérios propriamente ditos até à logística de apoio. Não estando disponíveis os critérios na net, é necessários fotocopiá-los individualmente em alguns dos locais que centralizam este processo. Para além de também no caso do 9º ano ser trabalho oferecido, sem qualquer remuneração pelas horas perdidas. Apenas mais do mesmo.

O Umbigo lá fora, ou um texto para a Associação dos Professores de História, originalmente publicado por aqui.

O outro Umbigo, com a continuação dos Recortes de Imprensa sobre o «caso Charrua» e também com o confronto nos triubunais  entre José Sócrates e António Balbino Caldeira que, independentemente do desfecho judicial, será quas epor certo fatal para a imagem do PM, pois abriu uma nova frente para a abordagem de assuntos que seria melhor deixar esquecer.