Segunda-feira, 25 de Junho, 2007


Nos histoires d’amour sont les mêmes
Comme si nous avions pratiqué
Dans des piscines parallèles
La natation synchronisée

Enquanto eu vou estar a deitar a miúda aqui por terras do deserto com vista para a serra, e enquanto não aparecem os proverbiais incêndios de Verão, podem sempre aproveitar para ouvir este trio de sociólogos dissertar sobre a situação do Ensino Superior, o abandono escolar e muitas outras coisas.

Os excertos iniciais dos textos dos participantes podem encontrar-se aqui e pelas amostras quer-me parece que não concordo com tudo, ou com a maior parte de alguns, pelo que o melhor é mesmo ver se acho esta edição de O Mundo Diplomático português, mas com título em francês.

Já agora sempre que vejo escrito dossiê há algo em mim que s’arrepanha. Estou a ficar anacrónico.

Existe, claro que existe, se alguém pensou o contrário por causa de textos meus anteriores está muito enganado(a).

O professor (vou usar o masculino por comodidade e não por preconceito de género) tem um papel importante nos resultados dos alunos, mesmo se eu acho que os primeiros responsáveis são os próprios e se o contexto socio-económico e cultural também pode influir positiva ou negativamente.

Negar o papel do professores nos resultados dos alunos seria tentar negar a humidade da chuva. E eu não gosto desse tipo de opiniões a contra-corrente, só porque são muito originais. O que acontece é que eu não me revejo em nenhuma das seguintes três imagens sobre o docente, duas popularizadas pelos seus críticos e a outra pelos seus mais bem-intencionados defensores.

  1. O professor excessivamente rigoroso, impessoal, distante e incapaz de uma palavra de encorajamento, mas rápido na crítica azeda. Aquele professor que faz do insucesso na sua disciplina o factor do seu sucesso pessoal, como se isso fosse a marca do seu domínio sobre uma matéria dif´cil e apenas ao alcance de uma elite de iluminados. O professor que sente prazer em distribuir negativas, como forma de vida ou de vingança muito pessoal sobre essa mesma vida.
  2. O professor a quem é indiferente o resultado obtido pelos seus alunos. Que se limita a dar as aulas, a “despejar” a matéria, a fazer o mínimo das suas obrigações e que encolhe os ombros perante os maus resultados dos alunos, alegando que fez tudo o que podia, no estrito cumpirmento das suas obrigações mínimas.
  3. Como reflexo inverso, o professor que se envolve profundamente com os seus alunos, identificando-se pessoalmente com as suas dificuldades, que extravasa  relação pedagógica normal e se transforma em mais um colega do próprio aluno, experimentando as suas dores e os seus prazeres, quase que como por osmose e simpatia (a greco-romana, não a supersticiosa nem a mais comum).

Todas estas posturas perante o desempenho dos alunos me parecem – para não dizer claramente que são – excessivas e mesmo contraproducentes ou porque são demasiado distantes (as primeiras), ou porque promove (a última) um envolvimento que perturba o discernimento do professor.

No meu entendimento e na minha prática, a importância do professor no desempenho dos alunos pode manifestar-se de muitas formas, desde a maneira (técnica pedagógica) de apresentar com clareza e rigor os conteúdos até à capacidade de estabelecer um bom ambiente de aprendizagem na sala de aula, passando ainda pelas qualidades de atrair e motivar os seus alunos para o estudo, conseguindo que eles sintam orgulho no seu próprio desempenho.

Em tudo isto pode existir – mas não é indispensável – uma dimensão afectiva na relação pedagógica, seja de sedução como já propôs um comentador do Umbigo, seja de empatia como sugeriu uma outra comentadora. Eu normalmente prefiro uma dimensão de humor por vezes ríspido e algo teatral, mas é um feitio muito particular. Essa dimensão pode ser positiva, mas repito que não é essencial. O professor não deve preocupar-se em ser “amado” pelos seus alunos. Deve chegar-lhe o reconhecimento – com admiração e respeito q.b. – de ter desenvolvido o seu trabalho com a competência e dedicação que o seu próprio brio pessoal e profissional devem exigir-lhe e que, ocorrendo, normalmente merece o tal reconhcimento por parte dos alunos.

Porque os resultados dos alunos são, diga-se o que se disser, um factor importante para o equilíbrio pessoal e profissional de qualquer docente crítico e reflexivo relativamente à sua prática. Acrescendo que quem tem essa capacidade crítica e reflexiva também deve ser capaz de saber até que ponto pode ir o desempenho dos seus alunos, que expectativas lhes apresentar (nem muito altas, para evitar frustrações posteriores, nem muito baixas, para não suscitar a displiscência) e que resultados deve esperar, em especial quando aqueles são sujeitos a uma avaliação externa.

O professor é antes de mais, em matéria de resultados dos alunos, responsável por:

  • Transmitir aos alunos os conhecimentos e técnicas essenciais (as chamadas ferramentas) para um bom desempenho, através de um trabalho pedagógico eficaz.
  • Motivá-los para que sintam que esses resultados são, no fundo, uma forma de verem reconhecido o seu trabalho e factor de orgulho e realização pessoal.

Sendo competente e eficaz nestes dois aspectos, juntando-lhe a tal percepção daquilo que pode e deve exgfir a cada aluno e a cada turma, normalmente os resultados obtidos são gratificantes, embora nem sempre à mesma escala. Porque há niveis de sucesso muito diferentes.

Tem sido – falsas modéstias à parte – essa a minha experiência e, após três anos de interregno em que pensei que podia ter perdido a mão, voltou a ser este ano. E espero que assim continue a ser. Para bem quer dos meus alunos, quer da minha própria consciência.

E já agora fica uma citaçãozinha para terminar, porque fica sempre bem e vai ao encontro da minha visão deste problema

… conforme já salientámos, estas estratéegias constituem hipóteses de trabalho, fundamentadas nas principais teorias cognitivistas da motivação humana, que podem ser implementadas pelo professor na sua prática profissional, mas não são “receitas universais” para a resolução do complexo problema que é a falta de motivação dos alunos para as actividades do processo de ensino-aprendizagem.

Além disso, parece-nos que os professores podem fornecer o seu contributo, assumindo a sua cota [sic] parte de responsabilidade e actuando dentro das suas possibilidades (…) mas a prevenção e a resolução efectiva deste problema passam por uma acção concertada com as famílias, o poder político, s instituições socioculturais e os meios de comunicação social. (Saul Neves de Jesus, Influência do Professor Sobre os Alunos, 1996, p. 42)

No Educação-Cor-de-Rosa  e no Sine Die, via Amélia Pais, que continua por aqui a merecer sempre visita.

A Idalina Jorge propõe que esta seja a Semana do Dizer Bem.

Lamento, mas não consigo. Eu querer, queira, mas os fantasmas que fazem mover esta máquina não me o permitem. Não consigo durante sete dias aquilo que no teatro e cinema se chama a suspensão da (in)credulidade do espectador. A realidade exerce demasiados efeitos sobre mim. Para além de que provavelmente não sou uma pessoa com a melhor das índoles.

Eu bem tento ser positivo. Mas tantas vezes acabo apenas por ser positivamente crítico. Embora dizer bem nem sempre seja obrigatoriamente bem-dizer. Acho eu.

Mas divulgo a ideia.

Eu acho que isto presta-se a imensos equívocos pois pode dar uma sensação errada como à forma como o Primeiro-Ministro encara a Educação do nosso país.

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Até parece que a ideia é a seguinte:

  1. Chegada alegre perante entusiasmados polegares.
  2. Prelecção vigorosa e rápida.
  3. Diploma e já está.

Eu se fosse ao PM processava judicialmente o Portal do Governo por esta forma abusiva de tratar a questão. Ou então instaurava um processo disciplinar a quem produziu esta sequência de imagens porque estas coisas não acontecem por caso e erodem a confiança no povo no seu líder Kim, desculpem, o cidadão José Sócrates Pinto de Sousa, dos Pintos de Sousa da Beira, não daqueles da arbitragem do futebol.

(com um enorme obrigado à Maria Ema pela referência)