Em declarações recentes, a Ministra da Educação tenta fazer o pino sobre uma linha imaginária, ao declarar que quanto à repetição dos exames de Física e Química faria o mesmo que fez, mas sem os “efeitos perversos” da medida. Leia-se aqui, a sua absoluta inconstitucionalidade.

Antes de mais, gostaria de fazer o reparo de a medida ter sido da lavra – pelo menos é a assinatura que consta – do Secretário de Estado Valter Lemos que, agora quando o fogo arde, coloca-se quase fora da cena, em segundo plano como aconteceu num recente noticiário, televisivo e deixa a Ministra a defender-se sozinha. O que é politicamente pouco corajoso e revela uma certa falta de gentlemanship, ou mais portuguesmente, uma enorme falta de cortesia.

Mas quanto ao essencial –  e ao que a partir daqui considerarei a Teoria dos Efeitos Perversos – se há algo que esta equipa do Ministério da Educação conseguiu com a sua acção foi, através de actos e medidas que se apresentaram como muito meritórios despoletar uma imensa onda de efeitos perversos, que seriam perfeitamente previsíveis para quem conhecesse como funciona a realidade das coisas. Ou então até os previram e, pior, acharam que eram danos colaterais suportáveis, desde que se impusesse a estratégia do facto consumado.

Porque há por aí imensos efeitos perversos, que finalmente surgem à luz do dia, mesmo se a conta-gotas, desmascarando as consequências concretas de uma política que, na sua essência, mais do que um efeito perverso é perversa per se.

Basta ler a imprensa diária ou de fim de semana.

Caramba, como eu gosto deste período em que o Estatuto dos Jornalistas está em discussão.