Quarta-feira, 20 de Junho, 2007


I’ve seen it all and it’s all done
I’ve been with everyone and no one
So this dying slowly
It seemed better than shooting myself

José Sócrates apresentou uma queixa-crime contra o blogger António Balbino Caldeira devido ao conjunto de textos que este professor de Alcobaça escreveu sobre a sua licenciatura em Engenharia Civil na Universidade Independente (UnI), apurou o Expresso junto de fonte próxima do processo. Está assim explicado o facto de o autor do blogue ‘doportugalprofundo.blogspot.com’ ser ouvido no mesmo dia no Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) de manhã como arguido e à tarde como testemunha. (Expresso e ver também do Portugal Profundo)

Só para saber até onde podemos ir… E porque eu nem sequer tenho grandes amizades em matéria de advogados e eos que conheço não são desta área de trabalho e…

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Perto de 107 mil alunos do 9º ano realizaram hoje o exame de Língua Portuguesa, uma prova que não testou os seus conhecimentos relativamente a “Os Lusíadas”, de Luís Camões, e à obra de Gil Vicente, que ocuparam grande parte das suas aulas durante este ano lectivo. “Os professores gastam muito tempo a dar ‘Os Lusíadas’ e Gil Vicente, que depois não saíram no exame. Devia ter aparecido pelo menos uma pergunta sobre uma das duas obras literárias”, defendeu Paulo Feytor Pinto, presidente da APP.
O responsável da associação criticou ainda a parte da prova destinada a testar a elaboração de respostas de desenvolvimento, considerando que a tarefa foi demasiadamente facilitada aos estudantes. “A escrita de respostas de desenvolvimento foi muito facilitada, com instruções que equivalem praticamente a fazer o texto pelos alunos. As instruções referem exactamente o que os alunos têm de saber e aquilo que se pretendia avaliar”, indicou Paulo Feytor Pinto.
Ainda assim, a APP considera que a prova do 9º ano “é melhor” do que o exame nacional do secundário, realizado ontem, que mereceu críticas duras por parte dos professores, por não avaliar a maior parte dos objectivos do programa e descurar, em particular, os conhecimentos de gramática. “No exame do 9º ano, a gramática não foi deixada de fora. Nessa perspectiva, é sem dúvida melhor [do que a prova do 12º]”, considerou o presidente da associação. (Público)

Quanto a esta apreciação do Exame de Língua Portuguesa para os alunos do 9º ano concordo com duas afirmações do presidente da APP – realmente é inconcebível não se avaliar os conhecimentos sobre as obras de leitura obrigatória e as perguntas são de um facilidade confrangedora na 1ª parte da prova – mas discordo de outras duas quando ele declara que neste exame a gramática foi objecto de avaliação (apesar de 20 pontos em 100, os conteúdos aavaliados são quase residuais) e que este exame é superior em qualidade ao do 12º ano. Só se for na qualidade de inflaccionar os resultados finais, porque, como escreevi e repito, 90% da prova está ao nível de um 6º ano.

Carta recebida por mail que se passa a publicar, em nome do direito à indignação. Não a conheço, mas é como se conhecesse. Os destaques e algumas divisões em parágrafos são minhas, mas não tocam o conteúdo do texto original.

Desculpem os Srs. responsáveis pela informação em Portugal, mas estou absolutamente incomodada ao dar conta da passividade e ignorância, da surdez e cegueira dos mass media face a certos acontecimentos que se sucedem por este Portugal fora… Já vi noticiários a abrirem com as «famosas façanhas» de indivíduos que estão em quintas das celebridades (?)… no “big brother” e outras anormalidades que vão acontecendo neste mundo, cada vez mais miserável, mais pobre em ideias, em sentimentos e em valores… Porém, a morte de uma Professora, vítima de leucemia, obrigada a trabalhar até à morte, porque acharam, certos Senhores, a bem do cumprimento de certas políticas sociais justíssimas, que essa professora não só se encontrava capaz de trabalhar, como AINDA, não reunia os requisitos para a reforma – apesar dos seus 63 anos, apesar dos 30 anos de serviço e apesar da leucemia que a consumia – não faz notícia.

É impressionante como é que não há uma única notícia QUE SE VEJA e que produza eco nas consciências das pessoas. A que preço querem o avanço de um país??? E que avanço se pretende??? Económico??? Só pode ser meramente económico porque, de facto, basta sair à rua para nos confrontarmos com a desumanização crescente… E o mais grave é a desumanização das políticas governativas que vão grassando neste país.

No campo da educação, o exemplo é flagrante, gritante. Numa área tão crucial como esta, em que mais do que conhecimentos se transmitem valores e princípios, em que se pretende educar para a cidadania e, onde, nas mais diversas circunstâncias se apregoam os valores humanos, os Direitos do Homem, em que se fazem actividades cujo objectivo é alertar as mentes dos nossos jovens para o respeito efectivo da vida humana, eis-nos, no entanto, num país terceiro mundista que, atrelados à Europa nada mais sabe fazer do que copiar modelos de um modo acrítico, de um modo irreflectido, sem uma avaliação da realidade Portuguesa…. POR FAVOR, Srs Governantes, por FAVOR Sra Ministra da Educação….ABRAM OS OLHOS E VEJAM; ouçam quem sente, quem sabe, quem vive as realidades que os senhores só conhecem teoricamente, sentados confortavelmente nos seus gabinetes, surdos e cegos por motivos escusos. Ninguém com bom senso, com conhecimento de causa pode ver boas intenções em certas medidas que estão a ser tomadas; ninguém, cuja cor política seja ou não rosa, com uma consciência moral bem formada é capaz de não ficar indignado com tanta ignorância, crueldade e falta de justeza.

Subtilmente, violam-se direitos fundamentais; com subtileza, se fez querer que a classe docente é uma classe rasca; com subtileza, desprezou-se o trabalho nobre de um professor…. Sim, NOBRE! Somos professores, somos pais, somos educadores, somos animadores sociais, somos psicólogos, somos amigos….

Basta de tanto cinismo; basta de tanta prepotência; basta de tanta surdez mal intencionada…. EU QUERO SER OUVIDA… Os professores, como qualquer outra classe, merecem respeito. De facto, e mais do que nunca, ser professor é assumir uma vocação.
Termino, imaginando o que, ao lerem este artigo, estarão a pensar e a dizer todos aqueles que vêem os professores como uma classe cheia de «benesses», como uma classe de «calões», que nada fazem…

A esses respondo com três afirmações/apelo:

1º O Todo nem sempre é igual às suas partes (conseguiram perceber??);

2º Se duvidam, porque não experimentam?;

3º Quem sabe o que sabe, deve-o aos seus mestres!

Eu sou professora, não por obrigação, mas por vocação. Por amor à profissão e aos meus alunos já abdiquei de muita coisa. Por ela, já estive dois anos consecutivos a 530 km da minha família, da minha filha com dois anos de idade; por ela, encontro-me ainda, a 116 km da minha origem; por ela, raros são os fim-de-semana gozados. Por isso, haja respeito!!!

Carla Luísa Gouveia
(Professora de Filosofia)

Políticas educativas e iliteracia científica
Luis Filipe Torgal

A escola massificada de hoje está, portanto, mais burocratizada, mais pragmática, mais folclórica, mais niilista, mais cínica e menos séria. Só as (virtuais) estatísticas do sucesso educativo interessam.

Excelente texto, a merecer leitura integral, pelo que apenas se fornece o aperitivo. Porque já é tempo que, do lado das Universidades, alguém reaja ao que se vai passando no submundo do Ensino Básico e Secundário. É que, por este andar, nem a bolonhização do Ensino Superior vai conseguir salvar grande parte das novas/futuras gerações de estudantes universitários.

Saíram, por enquanto globalmente por turma, os resultados das provas de aferição dos 4º e 6º anos. Não posso considerar-me extremamente surpreendido com os níveis de sucesso da minha escola e, mais em particular, das minhas turmas.

Curiosamente, porque uma é de currículo “normal” e outra de currículo “adaptado”,  ambas as turmas atingiram o mesmo nível de sucesso: 87,5%. O que tem a sua curiosidade. Em circunstâncias normais, caso não tivesse faltado um aluno em cada turma por motivos de saúde (num caso de doença mesmo prolongada), e também por coincidência o 2º melhor aluno de cada uma delas, os valores teriam diferido um pouco, subindo para os 88% e 89%, respectivamente. Não sei o que isto equivale em termos de performance comparativa a nível local, distrital e nacional, mas dou-me por satisfeito.

Não são turmas boas, são meramente turmas medianas. A qualidade do sucesso reflecte isso com a esmagadora maioria a ficar-se pelo nível de “Satisfaz”. Mas atingiram os níveis que eu tinha, implicita e explicitamente, delineado para o seu desempenho, que era obterem resultados equivalentes ou superiores à minha própria avaliação. Não me espanta, em especial no caso da turma “regular”, que os resultados se sobreponham como num papel vegetal aos resultados previstos para final do ano lectivo.

Sei que há quem não aprecie este tipo de comparações e que considere mesmo irrelevantes as discrepâncias entre avaliação interna e externa. Não é bem o meu caso. Não dou excessiva importância a instrumentos de avaliação externa, em especial quando os acho deficientemente concebidos e discordo dos critérios de classificação. No caso da prova de aferição de Língua Portuguesa para o 6º ano tenho algumas reservas à sua estrutura e há muito que tenho sobre alguns critérios de classificação.

Mas também acho que os alunos que preparamos na Escola devem estar em condições de se desenrascarem no mundo exterior, pois não podem ser preparados apenas para os “nossos” instrumentos de avaliação, mas para um leque mais alargado de situações.

Por isso mesmo, acho que os meus alunos do 6º ano, repito que de turmas meramente medianas, sem quase nenhum aluno vagamente excepcional, teriam obrigação de ter acima de 90% de sucesso no Exame Nacional de Língua Portuguesa para o 9º ano (a parte pior era na composição escrita conseguirem contar as palavras, que tinham de ser entre 140 e 240). Não fora o ano lectivo acabar já depois de amanhã – e o facto de não ser assim tão sádico – e obrigava-os a fazerem o dito exame para provar a minha teoria.

Shyness is nice and
Shyness can stop you
From doing all the things in life
You’d like to

Porque numa semana que parece ter nascido ao contrário,
ao menos a nostalgia que funcione.

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