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Acabo de ver e ler o chamado “Exame Nacional” de Língua Portuguesa para os alunos do 9º ano.

Por momentos pensei que estava a ler uma prova de aferição, relativamente fácil, para os meus alunos do 6º ano.

Se uma infantilidade destas não tiver como resultado um êxito massivo, é mesmo porque as coisas andam completamente às avessas.

Dos 100 pontos da prova 45 (50 se contarmos com o slogan) são para a chamada compreensão da escrita (vulgo “interpretação”), 20 pontos para o conhecimento explícito da língua (a “gramática”) e 30 para a produção escrita (a antiquíssima “redacção”, que também se conhece como “composição escrita”).

Dos pontos da parte de compreensão da escrita, 13 destinam-se a respostas de escolha múltipla, 11 a meras transcrições de frases do texto, 14 que a resumos de partes do texto e apenas 7 à tal “interpretação”, no sentido de ilação de algo a partir do que está explírito no texto. Qualquer aluno meu do 6º ano – e este ano poucos são mais do que medianos – faria esta parte da prova sem problemas de maior.

A parte reservada à “gramática“, também como resultado possível da suspensão da TLEBS, é risível, com apenas 4 questões, 2 das quais de escolha múltipla e uma que apenas pede a reescrita de uma frase na forma passiva.

Adivinho, portanto, elevados níveis de sucesso neste exame e, com sinceridade, quem tirar classificação inferior a 35 pontos (alcançáveis fazendo correctamente as questões de escolha múltipla, de transcrição e uma fraca composição) é porque esteve ausente da generalidade das aulas ou esteve apenas de corpo presente no próprio exame.

Penso, ainda, que esses resultados irão ser apresentados, por comparação com os de anos anteriores, como uma enorme vitória da política recente desta equipa ministerial, resultado directo das iluminadas directrizes emanadas da 5 de Outubro.

Por outro lado os professores não devem recear estes resultados como factor da sua avaliação. A menos que tenham inflaccionado desnecessariamente a avaliação interna, a avaliação externa vai deixá-los muito bem vistos desta vez. É a (positiva) consequência indirecta de uma estratégia de facilitismo nos exames, verdadeiramente encarados como formalidade para cumprir calendário.

Realmente, não valia a pena gastarem dinheiro e tempo com isto. Ou então não vale a pena chamar exames a provas que são mais elementares do que qualquer teste que eu fiz a alunos do 6º ano desde o Carnaval.

Se é isto que se acha que deve exigir a alunos que completam a escolaridade obrigatória, então não se admirem com os resultados quando são feitos testes comparativos a nível internacional.