O apoio de alguns sectores opinativos do Expresso à equipa do ME foi público e notório durante muito tempo. Os encómios a Maria de Lurdes Rodrigues e à sua determinação, por exemplo, de Fernando Madrinha, ainda não se apagaram da minha memória. Agora, também por essas bandas as coisas mudam um pouco. Lembram-se certamente do caso da carta de Dalila Cabrita Mateus, em resposta a mais uns dislates de Miguel Sousa Tavares, que só apareceu em letra de imprensa depois de circular na blogosfera. Hoje já se tem direito a uma carta, embora sempre com a truncagem do costume, de Maria Emília Castro sobre a forma como a avaliação do desempenho dos docentes só é vagamente meritocrática, pois baseia-se na ocupação dos cargos e não na qualidade do seu exercício, assim como a questão da assiduidade é tratada de forma errada, pois se há atestados falsos, os primeiros a sabê-lo são muitos CE’s que estão em condições de perceber quem está doente e quem antecipou as férias.

Para além disso, em editorial revela-se um encrespamento, até agora nada habitual, perante a política comunicacional do ME. A propósito dos esclarecimentos oficiais quanto a uma notícia do jornal sobre as provas de aferição de MAtemática (para alguma coisa servirá ter Nuno Crato como colunista residente), escreve-se:

Como é próprio, o Expresso tentou obter do Ministério da Educação um comentário. E ele chegou, mas com restrições quase inadmissíveis: teria de ser por escrito e publicado na íntegra.

Em nome do interesse dos leitores, acedemos. É uma prática perversa porque, no limite, torna o jornalismo oficioso, sem chama e sem outro contraditório que o dos comunicados das agências de comunicação, de assessores ou de pretensos peritos.

Mas isto já antes de passou, e especificamente com o ME, do qual foram transmitidas posições sem a devida crítica jornalística ou recurso a um contraditório credível e substantivo. Tarde perceberam (terão mesmo percebido?) a direcção e redacção do Expresso que foi isso que fizeram. Pior, não percebem que é isso que fazem ao restringir o direito dos leitores a manifestarem o seu desagrado perante matérias e opinião, completamente infundamentadas, publicadas na páginas do jornal.

Não vale a pena pregar a necessidade da liberdade de opinião, se depois não a praticam, com a cobertura diáfana dos «critérios editoriais» e de gestão do espaço.