José Matias Alves retoma no Correio da Educação desta semana um texto já incluído há uns dias no Terrear sobre o papel dos professores nos resultados dos alunos, de que passo a citar o naco central de teses:

Ensaiemos o índice de uma resposta, alinhando as seguintes teses gerais:
i) os professores são, em parte, responsáveis pelos resultados dos seus alunos;
ii) os professores são, provavelmente, a variável com maior impacto na produção desses resultados;
iii) mas o próprio aluno, o contexto familiar, a organização escolar e os recursos disponibilizados não são irrelevantes, podendo até, em determinadas circunstâncias, ser mesmo determinantes;
iv) e finalmente, ainda que em segundo plano, o currículo, o sistema de avaliação, os programas não podem ser rasurados se quisermos apreender a complexidade deste fenómeno.

Pensando voltar brevemente a este assunto, e mais em particular sobre o que acho ser a influência que os docentes podem e devem ter sobre os seus alunos, gostaria desde já de deixar aqui umas impressões rápidas sobre as quatro teses acima transcritas.

  • Concordo que o(s) professor(es) pode(m) ser responsáveis por parte importante do (in)sucesso dos seus alunos, embora seja difícil fazer a medida rigorosa desse mesmo (in)sucesso. Porque se usarmos os resultados da avaliação dos alunos pelos próprios professores entramos num circulo vicioso, em que os resultados podem ser determinados por estes de formas nem sempre transparentes. Se usarmos resultados externos (desempenho em exames e provas de aferição), essa medida pode ser mais neutral, mas padecer de distorções  em termos comparativos. E este é um dos pontos que convém desenvolver mais e melhor, posteriormente.
  • Contudo, acho que a variável mais importante no (in)sucesso de um aluno – e afirmo-o com base na minha experiência como aluno durante 20 anos e como professor outros 20, partes deles em sobreposição – é ele mesmo e a forma como consegue utilizar as suas capacidades e superar eventuais dificuldades. Um bom aluno pode sobreviver a um ou mais maus professores, mas nem sempre o contrário é verdadeiro. Sei que isto poderá ser polémico para muitos, mas não estou aqui para ser politicamente correcto.
  • Obviamente que o contexto familiar, social e escolar, os meios disponíveis para que o aluno desenvolva o seu trabalho com sucesso são factores importantes mas, nos tempos que correm, já não são tão determinantes como eram há duas, três ou mais décadas. Neste momento, o aluno que queira informar-se sobre certas matérias e assuntos tem ao seu dispôr, a Escola ou fora dela, em bibliotecas municipais e não só, equipamentos e materiais que, com algum dispêndio de tempo, conseguem suprir muitas carências do seu ambiente original. Claro que isso não se aplica a casos em que a situação de exclusão ou vulnerabiulidade socio-económica é tal que inviabiliza que mesmo esses recursos possam ser usados.

Portanto, e em resumo prévio, eu diria que a maior responsabilidade pelos resultados dos alunos é dos próprios, apesar de tudo e felizmente, porque acredito que devem ser os indivíduos, em primeira instância, a responsabilizarem-se pelas opções que fazem e pelo seu desempenho. Mesmo se o contexto e os outros agentes em presença tem o seu natural papel.

O resto pode ter a marca – deveria tê-la – dos professores, mas essa é uma variável múltipla, pois os professores são vários ao longo dos anos e em cada ano e o aluno é apenas um. Por isso mesmo, sendo a invariável do processo, o aluno é o factor essencial do seu próprio (in)sucesso, salvo casos de manifesta distorção da relação pedagógica que normalmente se deve estabelecer entre professor e aluno.

Mas eu espero explicar tudo isto, por partes, um pouco melhor, a não muito longo prazo.