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Tudo o que agora se passa em torno da DREN e do ME é extremamente interessante, pelo que começa a revelar de mudança do sentido do vento em relação à atitude governamental nesta área da sua actividade. Apoarentemente quando os professores se queixaram da prepotência e pesporrência desta equipa ministerial e dos seus prolongamentos, por ocasião da discussão do Estatuto da Carreira, ainda eram tudo rosas e os professores uns privilegiados preguiçosaos, avessos á avaliação e à progressão pelo mérito, que mereciam pouco crédito e quase nenhum espaço.

A brutal arrogância da atitude negocial do ME – que Margarida Moreira tão bem simboliza com a sua acção por terras do Norte, mas de que Valter lemos e Jorge Pedreira tinham dado provas – passou então em claro e sem grandes reparos.

Curiosamente foi preciso um caso singular – mas lá está, de alguém de certo modo notável, pelas funções que já desempenhou e as ligações que ainda mantém – para que tudo entrasse em ebulição e se levantasse a tampa da panela há muito fechada.

Agora já de vários lados se ouvem as denúncias, os queixumes, se apontam dedos em riste e se levanta a voz contra os atropelos que parecem sempre mais dramáticos quando são individuais do que quando se espezinha mais de uma centena de milhar de docentes.

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O editorial de hoje do Público é especialmente esclarecedor e virulento a este respeito (clicar na imagem acima para ampliar, porque o texto não se encontra online e os que não compraram o jornal ficam a dever-me 1,25€), mesmo se peca por tardio.

Mas mesmo em outros órgãos de informação, bem mais acomodados aos poderes do tempo que passa, se começam a ler incómodos de quem percebe que, a seguir a uns, serão outros a sofrer o mesmo destino, pois quando a liberdade de expressão fica ameaçada, a menos que colaborem, os jornalistas e os opinadores serão dos primeiros a serem lembrados.

E assim, mesmo na cada vez mais rosa-acinzentada Visão, se pode ler o seguinte parágrafo da autoria de Áurea Sampaio.

Com o Governo Sócrates, a libersade de expressão está a tornar-se um problema sério. Depois do caso Charrua, agora foi a Associação de Professores de Matemática a ser banida por ter criticado a ministra da Educação. Atenção! isto é um Estado democrático.

O Estado Democrático já o era, ou deveria ser, em 2005 e 2006, só foi pena que nem todos então tivessem reparado nisso.

Mas todos são sempre bem-vindos às causas justas. Porque mais vale chegar tarde à Razão…