Esclarecimento prévio: desgosto de forma equivalente de professores que estão durante duas décadas afastados da docência, em estruturas técnicas intermédias ou centrais do ME, e de pessoas que fazem a sua carreira à sombra do alinhamento partidário, saindo mais ou menos directamente das jotas para cargos de confiança política. Pior ainda se passam pelo sindicalismo para se tornarem, posteriormente, militantes anti-sindicais. Não sou filiado, nem nunca vagamente estive interessado nisso, em nenhum partido, e por maioria de razão no PS e no PSD.

Pelo que não nutro nenhuma posição apriorística a favor de Fernando Charrua ou Margarida Moreira. Limito-me a observar os efeitos dos seus actos e a analisar as suas palavras. Neste caso as da Directora Regional de Educação do Norte ao Diário de Notícias. E partindo do princípio que tenho direito à expressão livre da minha opinião.

Vamos lá então a isso, seguindo a ordem da entrevista:

  • Preocupa-me a confusão, que espero involuntária, feita por Margarida Moreira entre a sua pessoa enquanto Directora-Geral e o organismo que dirige e os seus funcionários. Afirmar que um ataque (crítica?) dirigido à Directora-Geral, em virtudes de actos por si praticados, é um ataque a toda a DREN e aos seus funcionários é manifestamente abusivo. Tão abusivo como considerar que um ataque ou crítica ao Primeiro-Ministro ou ao desempenho de um titular de um cargo político é um ataque à Democracia. As considerações que se lêem em jornais, blogues ou outros meios de comunicação são feitas sobre acções concretas da Directora-Geral e não à Direcção-Geral.
  • Afirmar que existe uma campanha difamatória, mas depois ficar por aí e que não é sua função esclarecer essa acusação geral e vaga é algo tão mau ou pior do que aquilo de que se queixa ser vítima.
  • Gostava de saber se quando MM afirma que «temos tudo o que tem saído na comunicação social, nos blogues, ofícios…», etc, etc, o uso do plural é feito no sentido majestático do termo se significa que têm sido obilizados funcionários e meios da DREN para monitorar um assunto que toca essencialmente apenas a Directora Regional. Porque então a confusão entre a pessoa, a função transitória e a instituição ultrapassa alguns limites razoáveis.
  • Justificar o processo a um funcionário com a existência de outros 777 é aterrador. E indicia a existência de um clima certamente pouco saudável.
  • Considerar que o processo disciplinar não foi causado por um insulto a propósito da licenciatura do Primeiro-Ministro, mas por um insulto ao cidadão José Sócrates, que por acaso é Primeiro-Ministro, é um mero sofisma, ficando por saber se Margarida Moreira se preocupa com todos os insultos que são feitos por funcionários da DREN a outros cidadãos.

Quanto ao resto, acredito que Margarida Moreira tenha razões para afirmar que perturbou interesses instalados na DREN. Certamente que os havia e ainda há. Como em muitas outras DRE’s. Só que há limites para a resolução dos assuntos num Estado de Direito. Não sou um formalista ferrenho nestas matérias, mas não me parece que o método do meia bola e força seja o melhor, em especial se depois a pessoa se queixa de ser criticada com base em princípios machistas.

Aliás, se o caso fosse na inversa – uma funcionária suspensa por um Director – tenho quase a certeza que as críticas seriam bem mais ácidas.