Estamos habituados a ser bombardeados com números e mais números, sobre economia, produtividade, formação, educação, índices disto e daquilo, quantas vezes recortados ao sabor das conveniências, com escassa demonstração e raramente analisados de forma crítica.

Este sábado no caderno sobre economia do Expresso encontro mais um naipe de indicadores comparativos entre Portugal e a Zona Euro, coligidos por Daniel Amaral a partir de dados da Comissão Europeia. Por acaso bastante interessantes, para variar.

E o que encontramos neles?

Encontramos algumas coisas especialmente interessantes, algumas delas eventualmente inesperadas para quem toma como boa a propaganda do Ministério da Educação. Veja-se a evolução dos números sobre o abandono escolar e perceba-se que estiveram em retracção desde 2002 até 2005 (6,5% em 3 anos não é nada mau, em especial se perceberemos que esses 6,5% são quase 15% do valor de partida de 2002 e que correspondem ao perído da tanga barrosista), invertendo-se essa tendência de 2005 para 2006. A mim isso não me espanta, mesmo se vai contra as verdades aparentes emanadas do gabinete de imprensa da 5 de Outubro. Ou seja, apesar da crise vir de trás, o abandono escolar só se agravou com a chegada deste Governo ao Poder.

Quanto ao resto é mais do mesmo: uma quebra brutal do rendimento per capita, tendo em conta a paridade do poder de compra (de 79,5 para 70,4, enquanto na zona Euro as perdas foram apenas de 107.7 para 10,5,6, o que significa que se estávamos a 28 pontos da média em 2002, em 2006 passámos a estar a mais de 35), um agravamento das disparidades na distribuição do rendimento, um risco de pobreza estabilizado nos 20% e mais do que uma duplicação do desemprego de longa duração.

Não é preciso ser economista – se calhar é mesmo melhor não o ser, em especial algum com pretensões políticas – para não perceber o que isto significa: um país mais pobre, mais desigual, o que inevitavelmente impede a continuação da melhoria dos indicadores educacionais relacionados com o abandono escolar.

Só alguém muito ingénuo pode acreditar que isto se resolve – o insucesso e abandono escolar precoce – como novos Estatutos da Carreira Docente ou com fracturas nessa carreira e com a criação de professores titulares.

Mas claro que se a competência dos economistas que passaram pelo poder no nosso país alguma vez fosse avaliada, nunca eles apareceriam a dar palpites, uma e outra vez vez na imprensa e televisão, como acontece com os Cadilhes, Catrogas, Bessas, Mateus, Pina Mouras e outros que tais que, aparentemente, só encontram a luz quando deixam de estar em situaão de a achar para todos nós.

Entretanto, os professores que paguem as culpas da crise na Educação