Domingo, 10 de Junho, 2007


we are accidents
waiting waiting to happen.

“No decurso deste jantar, entre várias graçolas dirigidas ao primeiro-ministro e ao seu diploma, Margarida Moreira proferiu mais ou menos o seguinte: ‘Estão a brincar com o nosso primeiro-ministro, mas agora com o (programa) Novas Oportunidades ele resolve o assunto, pois fica logo certificado!’”, refere Fernando Charrua. (Público)

Palavras para quê, é uma lavagem de roupa suja portuguesa, com certeza!

Contas feitas, os finlandeses têm mais dez dias de férias e feriados do que os portugueses. E não se pense que os cidadãos do ex-bloco comunista são na União Europeia a 27 dos que mais trabalham: na Estónia, Lituânia, Eslováquia e na Eslovénia os dias extras de descanso variam entre os 36 e os 40.
Ao todo, entre férias e feriados os portugueses gozam, em média, 34 dias anuais, enquanto em terras da Nokia (Finlândia) as folgas somam os 44 dias. Os portugueses laboram o mesmo que os alemães e mais que os franceses. Isto comprova que as economias avançadas do Norte da Europa trabalham menos dias, mas conseguem, ainda assim, ser mais tecnológicas e competitivas.
Um estudo da Mercer, uma conceituada consultora de recursos humanos, hoje a divulgar em Lisboa, coloca Portugal na média europeia de dias gozados sem trabalho. Isto, claro, levando em conta os cinco dias semanais de trabalho, com pelo menos dez anos de serviço. (mais desta delícia no DN de 5 de Junho, cuja edição só hoje bisbilhotei)

E é o que nos vai lavando a alma…

Graças ao DA tomei conhecimento das verbas transferidas no 2º semestre de 2006 pelos organismos do Ministério da Educação.

Não é por nada, mas destaco aqui as primeiras, quer por serem as primeiras da lista, quer por serem da responsabilidade da própria Ministra, quer ainda porque são mais de 15.000 contos dos velhos em seis meses. Deve ser por causa de algum protocolo. E deve ser por isso que andam compadres e comadres muitos desavindo(a)s por aquelas paragens.

Estamos habituados a ser bombardeados com números e mais números, sobre economia, produtividade, formação, educação, índices disto e daquilo, quantas vezes recortados ao sabor das conveniências, com escassa demonstração e raramente analisados de forma crítica.

Este sábado no caderno sobre economia do Expresso encontro mais um naipe de indicadores comparativos entre Portugal e a Zona Euro, coligidos por Daniel Amaral a partir de dados da Comissão Europeia. Por acaso bastante interessantes, para variar.

E o que encontramos neles?

Encontramos algumas coisas especialmente interessantes, algumas delas eventualmente inesperadas para quem toma como boa a propaganda do Ministério da Educação. Veja-se a evolução dos números sobre o abandono escolar e perceba-se que estiveram em retracção desde 2002 até 2005 (6,5% em 3 anos não é nada mau, em especial se perceberemos que esses 6,5% são quase 15% do valor de partida de 2002 e que correspondem ao perído da tanga barrosista), invertendo-se essa tendência de 2005 para 2006. A mim isso não me espanta, mesmo se vai contra as verdades aparentes emanadas do gabinete de imprensa da 5 de Outubro. Ou seja, apesar da crise vir de trás, o abandono escolar só se agravou com a chegada deste Governo ao Poder.

Quanto ao resto é mais do mesmo: uma quebra brutal do rendimento per capita, tendo em conta a paridade do poder de compra (de 79,5 para 70,4, enquanto na zona Euro as perdas foram apenas de 107.7 para 10,5,6, o que significa que se estávamos a 28 pontos da média em 2002, em 2006 passámos a estar a mais de 35), um agravamento das disparidades na distribuição do rendimento, um risco de pobreza estabilizado nos 20% e mais do que uma duplicação do desemprego de longa duração.

Não é preciso ser economista – se calhar é mesmo melhor não o ser, em especial algum com pretensões políticas – para não perceber o que isto significa: um país mais pobre, mais desigual, o que inevitavelmente impede a continuação da melhoria dos indicadores educacionais relacionados com o abandono escolar.

Só alguém muito ingénuo pode acreditar que isto se resolve – o insucesso e abandono escolar precoce – como novos Estatutos da Carreira Docente ou com fracturas nessa carreira e com a criação de professores titulares.

Mas claro que se a competência dos economistas que passaram pelo poder no nosso país alguma vez fosse avaliada, nunca eles apareceriam a dar palpites, uma e outra vez vez na imprensa e televisão, como acontece com os Cadilhes, Catrogas, Bessas, Mateus, Pina Mouras e outros que tais que, aparentemente, só encontram a luz quando deixam de estar em situaão de a achar para todos nós.

Entretanto, os professores que paguem as culpas da crise na Educação

(c) Antero Valério