A APM saiu da Comissão de Acompanhamento do Plano da Matemática

Em Setembro de 2006, a APM aceitou integrar a Comissão de Acompanhamento (CA) dos Planos da Matemática (ver página Representações – Plano da Matemática).

Em 11 de Maio de 2007, a CA reuniu com os professores acompanhantes numa escola de Lisboa. A Sr.ª Ministra da Educação esteve presente em parte da reunião, para a qual convidou a comunicação social, e onde fez várias declarações que foram publicadas no dia seguinte nos jornais.

No dia 15 a APM enviou para a comunicação social, e deu conhecimento à DGIDC e ao gabinete da Sr.ª Ministra, este comunicado em que discorda das afirmações proferidas no dia 11 pela Sr.ª Ministra.

Na sequência destes acontecimentos, o Director Geral de Inovação e Desenvolvimento Curricular, Dr. Luís Capucha, convidou a APM a sair da CA, alegando que a APM não podia criticar publicamente o programa do Ministério, uma vez que fazia parte dele.

A direcção da APM considera como um princípio fundamental e inquestionável a sua independência e liberdade de expressão, para garantir a fidelidade aos seus objectivos, definidos nos estatutos, aos seus ideais de educação e aos seus sócios. Por isso, a partir do dia 30 de Maio, a APM deixou de integrar a Comissão de Acompanhamento do Plano da Matemática.
A APM continua disponível, como sempre tem estado, para apoiar os professores e os seus projectos nas escolas e para promover as aprendizagens matemáticas dos alunos.
A direcção da APM está disponível para esclarecer qualquer dúvida sobre estes acontecimentos.

Este episódio é digno de registo a vários níveis, como alguns dos frequentadores do Umbigo já chamaram a atenção, em comentários ou por mail.

Desde logo a forma como se desconvida quem não está de acordo com aquilo que o ME e os seus organismos centrais consideram ser o que está certo e é inquestionável. O que não deixa de revelar a prepot~encia de certas figuras e até que ponto são meramente cosméticas e inúteis certas criações ministeriais que mais do aconselhamento estão lá para abençoar o que lhes é colocado à frente. Se a APM teve o corajoso desplante de assumir publicamente a discordância, há outras associações do mesmo tipo que têm preferido silenciar-se – mesmo quando discordam – só para não deixarem de ter assento, de ser consideradas como parceiras amigáveis, sem que isso traga qualquer tipo de vantagens para alguém que não seja o próprio Ministério que assim tem argumentos para caucionar certas políticas. Veja-se o caso da TLEBS, em que a A.P.Português se manteve na sombra enquanto foi possível, assumindo sempre posições de sim, talvez não, porventura, na eventualidade de.

Seria ainda interessante perceber até que ponto determinadas Associações, se afinal é verdade que tantos de nós estão contra muitas das medidas do Ministério mesmo em matéria de gestão curricular e em termos de certas orientações pedagógicas, representam aqueles professores que afirmam representar, se meramente os seus associados mais presentes nos corpos dirigentes  ou se apenas mesmo se representam a si mesmas, enquanto micro-estruturas directivas.

Mas isto ainda é mais revelador a outro nível, que é a questão de se perceber que quem se candidata a (ou aceita) pertencer a certos organismos consultivos do ME – como o futuro Conselho de Esscolas – entende plenamente que apenas lá estará enquanto não se revelar inconveniente ou ousar ter ideias próprias. Pelo que vejo, percebo que o perfil de alguns candidatos não é de molde a levantar grandes problemas ao ME, muito pelo contrário, sendo muitos protagonistas movidos apenas pela vaidade. Mas quero acreditar que nem todos assim sejam e por isso mesmo gostaria de perceber até que ponto se irão prestar a este papel de figurantes, de idiotas úteis, destinados a ser afastados ou silenciados a partir do momento em que deixem de sorrir e acenar.

Como muitos já fazem quando vão à 5 de Outubro às sessões de mudo beija-mão.